Páscoa: como incluir o chocolate na rotina sem furar a dieta

A nutricionista Gisela Savioli explica a ação do cacau no organismo e quais são as melhores formas para o consumo

Páscoa: como incluir o chocolate na rotina sem furar a dieta e turbinar a saúde
Foto: Divulgação
Páscoa: como incluir o chocolate na rotina sem furar a dieta e turbinar a saúde

Que o cacau é a matéria-prima do chocolate, todo mundo sabe. Mas o que a maioria desconhece é que existem estratégias para incluir esse superalimento na rotina e tornar o chocolate um aliado da saúde, sendo ideal para combater a fome noturna, a fissura por doces no final de tarde e também o estresse e as oscilações de humor. A nutricionista clínica funcional, Gisela Savioli, é quem explica as vantagens do consumo e como não deslizar com a saúde em tempos de Páscoa.

Segundo Gisela, o cacau tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que ajudam a combater o estresse oxidativo, modulando os níveis de colesterol e açúcar no sangue. Um estudo publicado no Journal Nutritional Biochemistry mostrou que os compostos do cacau, chamados de  monômeros de epicatequina ajudam na produção de insulina, cuja ação é comprometida em decorrência da doença metabólica do diabetes tipo 2. E ainda se estiver presente em quantidades significativas no chocolate, ele faz desse alimento um potente aliado desde o gerenciamento das emoções até no processo de emagrecimento.

Outro grande benefício do chocolate rico em cacau é que ele proporciona proteção cardiovascular especialmente por conta da presença de flavanóides e polifenóis em sua composição.

Proteção cardiovascular

Os flavonóides são produzidos pelo metabolismo secundário da planta, para sua defesa contra as adversidades ambientais. "Eles são grandes protetores cardiovasculares, por justamente aumentarem a produção de óxido nítrico, um gás vasodilatador, que melhora o fluxo sanguíneo nos vasos, reduzindo a pressão arterial", explica Savioli. Essa melhor perfusão de sangue pelo corpo potencializa de forma significativa as funções cerebrais por aumentar a irrigação de sangue no cérebro. 

Prevenção contra diabetes tipo 2 e controle de estresse

Os flavonoides são também excelentes aliados quando falamos no retardo da metabolização dos carboidratos no intestino (o tempo que o alimento vai ser disponibilizado em açúcar no sangue). Essa ação ajuda a prevenir e tratar casos de Diabetes tipo 2.

Existe uma infinidade de benefícios quando falamos dos polifenóis do cacau e uma bem registrada pela literatura científica é a redução do apetite, dos níveis de estresse e ansiedade e aumento da sensação de saciedade nas refeições.

Absorção de nutrientes

"A relação entre os polifenóis e a produção de óxido nítrico, como explicado acima, auxilia na absorção de nutrientes no músculo durante o treino, o que é interessante para os atletas. O cacau contém também catequinas, composto químico com amplos benefícios para a saúde, incluindo efeitos na pele, humor e produção de energia mitocondrial", explica Gisela. 

As mitocôndrias são as responsáveis por produzirem energia para as células e são essenciais para tudo funcionar bem no organismo. Isso porque, ele é também uma das fontes mais ricas do PQQ, que é um poderoso estimulador da biogênese mitocondrial.

Como escolher o chocolate?

O melhor chocolate será sempre aquele com maior teor de cacau, pelo menos 70%, e o chocolate a ser evitado são os açucarados e pró-inflamatórios, feitos com leite e conservantes. “Se for o chocolate com presença de cacau em quantidade ideal, podemos comer sim um pedaço pequeno por dia, perto das 18h. Pois devido a sua composição, ele ajuda a aliviar o estresse e as oscilações de humor - pois participa da produção de serotonina (substância do bem-estar). Também reduz aquela sensação de fome noturna, amplia a saciedade e é ótimo para ajudar a desinflamar o organismo.” 

A nutricionista diz que levantamentos anteriores feitos no Brasil já chamaram a atenção para o fato de que muitos chocolates aqui comercializados nem poderiam ser chamados de chocolate por não serem feitos com o percentual mínimo de cacau exigido pela legislação. 

Segundo as regras brasileiras, para ser considerado chocolate, é preciso que o produto tenha pelo menos 25% de cacau, mas muitos não chegam nem a 5%. De acordo com a Anvisa, a definição de chocolate é um "produto obtido a partir da mistura de derivados de cacau (Theobroma cacao L.), massa (ou pasta ou liquor) de cacau, cacau em pó e ou manteiga de cacau, com outros ingredientes, contendo, no mínimo, 25 % (g/100 g) de sólidos totais de cacau".

O mais indicado é mesmo olhar o rótulo e verificar a composição e o percentual de cacau. Outra sugestão é fazer receitas caseiras que podem trazer sabor e proteção à saúde. Segundo a especialista, uma das formas de consumir uma ótima sobremesa é misturar meio abacate com duas colheres de cacau de sobremesa, até fazer uma massa homogênea. Se servir gelado, é uma excelente mousse.

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