Quer cabelos mais saudáveis? O segredo está na raiz

Especialista explica como o equilíbrio da pele sob os fios influencia oleosidade, sensibilidade, crescimento e aparência das madeixas

Skincare capilar muda foco dos cuidados e prioriza a raiz
Foto: Freepik/reprodução
Skincare capilar muda foco dos cuidados e prioriza a raiz

Cuidar dos cabelos deixou de significar apenas reparar pontas ressecadas ou recuperar danos causados por procedimentos químicos. Uma mudança na forma de enxergar a saúde capilar tem levado o couro cabeludo para o centro da rotina de cuidados, em um movimento inspirado diretamente no skincare facial.

A proposta é olhar para a região onde os fios nascem antes de tentar corrigir apenas o que aparece no comprimento. Oleosidade excessiva, descamação, sensibilidade e queda, por exemplo, podem estar relacionadas às condições do couro cabeludo e exigem estratégias específicas.

O couro cabeludo é, literalmente, pele. Durante muito tempo, o cuidado com os cabelos se resumiu a limpar e hidratar os fios, ignorando que a saúde do fio começa na raiz. Hoje, com a evolução da cosmetologia, passamos a entender que o couro cabeludo precisa do mesmo protocolo de cuidado que dedicamos ao rosto: limpeza profunda, esfoliação, controle de oleosidade, ação calmante, estímulo à renovação celular e proteção contra agressores externos
Vanessa Cardozo, gerente educacional da Donatti Cosméticos.


A comparação com o solo ajuda a entender essa mudança de perspectiva. Assim como uma planta depende das condições da terra para se desenvolver, o cabelo também depende de um ambiente adequado na região em que nasce.

"Pense no couro cabeludo como o solo onde o cabelo nasce. Se o solo está desequilibrado, com excesso de oleosidade, inflamação, descamação, acúmulo de impurezas ou má circulação, o fio que brota dali nasce fraco, fino, opaco e propenso à queda. Não adianta tratar apenas o fio se a raiz não é cuidada", afirma a especialista.

Terapia capilar ganha espaço

A mudança também acompanha o crescimento da terapia capilar, área dedicada à avaliação das condições do couro cabeludo e às necessidades de cada pessoa.

A proposta é identificar possíveis desequilíbrios e estabelecer cuidados direcionados, em vez de recorrer a um único protocolo para diferentes queixas.

Entre as estratégias utilizadas estão produtos e procedimentos voltados ao controle da oleosidade, à renovação celular e ao cuidado da pele. O objetivo é manter condições favoráveis para o funcionamento dos folículos, estruturas responsáveis pela formação dos cabelos.

"A terapia capilar não espera que o problema se instale. Ela mantém o couro cabeludo em equilíbrio contínuo, criando um ambiente onde disfunções como oleosidade excessiva, sensibilidade e queda encontram menos espaço para se desenvolver", afirma Vanessa.

Cuidados em casa também importam

Assim como ocorre com a pele do rosto, a manutenção dos resultados depende da continuidade dos cuidados. Procedimentos realizados por profissionais podem fazer parte da estratégia, mas a rotina em casa também precisa considerar as características de cada couro cabeludo.

"O tratamento profissional é o momento de intervenção intensa, mas a manutenção diária é o que sustenta os resultados. O shampoo precisa ser escolhido de acordo com a necessidade do couro cabeludo, os tônicos permanecem agindo diretamente na região, a esfoliação periódica favorece a renovação celular e, quando indicado, a suplementação complementa o tratamento de dentro para fora", explica.

A tendência também acompanha uma busca maior por tratamentos personalizados. Em vez de seguir uma rotina igual para todos, a avaliação pode considerar fatores como oleosidade, sensibilidade, histórico de procedimentos químicos e predisposição à queda.

"As pessoas já entendem que cabelo bonito não é apenas cabelo tratado por fora, mas cabelo que nasce de um couro cabeludo saudável. A informação está mais acessível, o consumidor busca ciência, ativos comprovados e tratamentos personalizados. Assim como aconteceu com o skincare, a terapia capilar caminha para deixar de ser um tratamento específico e se tornar parte da rotina de autocuidado", conclui Vanessa.