
Diante do avanço dos casos de agressão contra mulheres no país, uma nova iniciativa busca ampliar o acesso à informação e ao suporte emocional.
O ecossistema Mulheres Positivas, criado por Fabi Saad, lançou o Projeto Alerta Emocional, disponível em seu site e aplicativo, com foco em ajudar mulheres a reconhecerem sinais de relações prejudiciais ainda nos estágios iniciais.
A proposta foi desenvolvida pela empresária Helena Bork Saad e pelo empreendedor Ivan Neto, a partir da percepção de que situações de abuso, muitas vezes, passam despercebidas no começo.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que esse tipo de violência está frequentemente associado a vínculos afetivos, o que pode dificultar a identificação do problema.
Nos primeiros momentos, comportamentos abusivos costumam ser confundidos com demonstrações de cuidado ou ciúmes, o que contribui para a permanência em relações nocivas.
Esse cenário se agrava quando há envolvimento emocional ou dependência financeira, tornando o rompimento mais complexo.
Como forma de orientar, o projeto disponibiliza um questionário com dez perguntas que ajudam a mapear possíveis sinais de alerta. Após o preenchimento, a participante recebe um retorno personalizado e acesso a um material exclusivo, com orientações práticas para compreender a situação, fortalecer a autonomia e buscar apoio.
A iniciativa também pretende incentivar o autoconhecimento e ampliar o acesso a informações confiáveis, além de conectar mulheres a uma rede de suporte com especialistas e conteúdos educativos.
“Muitas mulheres sentem que algo não está certo, mas não conseguem identificar exatamente o que é. Quando existe clareza, existe escolha. E, quando existe escolha, existe a possibilidade de mudança”, afirma Fabi Saad.
Para Helena Bork Saad, o projeto nasce da escuta de histórias reais.
“A iniciativa nasce de uma escuta atenta. Percebemos que muitas mulheres vivem situações difíceis sem conseguir nomear o que está acontecendo. Levar clareza é o primeiro passo para qualquer mudança real”, diz.
Já Ivan Neto destaca que o enfrentamento do problema exige envolvimento coletivo.
“Não se trata apenas de informar, mas de construir caminhos. Essa é uma conversa que também precisa incluir os homens para que a transformação ganhe escala. Quando uma mulher entende o que está vivendo e sabe para onde pode ir, ela passa a ter mais força para transformar a própria realidade”, afirma.
Com acesso gratuito, o projeto também busca ampliar sua atuação por meio de parcerias com empresas, instituições e especialistas, fortalecendo a rede de apoio em diferentes regiões do país.