Como preparar o filho para a chegada de outro bebê?

Durante um bom período, ele foi o centro de atenção da família. Recebeu todos os cuidados, carinho e amor de seus pais. Tudo com exclusividade. Um dia, a mãe descobre que está grávida novamente. E agora? A tarefa nada fácil precisa ter um ingrediente essencial: a verdade. Todas as transformações nesse período serão sentidas pelas crianças. A barriga da mamãe vai crescer. Outros objetos serão colocados dentro de casa e a rotina será alterada. O psicoterapeuta de família Agenor Vieira de Moraes Neto orienta os pais a deixarem a criança acompanhar todas as etapas. Muitas perguntas vão surgir nesse período. E devem existir respostas, mesmo para as mais constrangedores como a de onde vem o bebê, afirmou.

Quando descobriu que estava grávida do segundo filho, Márcia Guedes fez Matheus, de 4 anos, entender o que estava acontecendo aos poucos. Eu não cheguei para ele e disse que estava esperando um filho, e sim, que ele iria ganhar um irmãozinho, disse. Márcia ainda não sabia o sexo da criança.

Mesmo sem entender o que estava acontecendo no início, Matheus sentiu ciúme, principalmente quando via alguém passando a mão na barriga da mãe. Ele chorava algumas vezes. Nas nossas conversas, eu sempre deixava claro que ele era tão importante quanto à irmãzinha e que eles seriam muito amigos. Depois da fase inicial, ele começou a entender e participava da gestação, até fazia questão de sentir a Gabriela se movimentando dentro da barriga, afirmou Márcia.

O psicoterapeuta ressaltou que, nessa fase, as conversas devem ser espontâneas e que a mãe deve deixar a criança tocar a barriga. A manifestação de ciúme é normal e irá ocorrer em outras fases na vida dos irmãos. Todas as perguntas devem ser respondidas. Se os pais não souberem, ou se ficarem constrangidos, digam que irão pensar sobre o assunto e quando se sentirem seguros devem fornecer a reposta para as crianças. Assim a chegada de um outro bebê não vira um trauma, explicou Moraes Neto.

Um dos segredos para conseguir uma convivência adequada entre os irmãos é não deixar que o mais velho se sinta rejeitado ou excluído. Enquanto a gestação estiver evoluindo, envolva toda a família. Quando for escolher os objetos para o quarto do bebê leve a criança junto, deixe que ela participe e até faça a sugestão na hora de comprar as roupinhas, por exemplo. Nesse momento demonstre carinho e amor e a importância dos dois para os pais.

Levar o filho para ver o irmão no ultra-som na barriga da mamãe também ajuda a criança a entender o que está acontecendo. O Matheus ouviu o coraçãozinho da Gabriela quando eu estava com três meses de gravidez. Foi um momento marcante para nós dois. Expliquei que quando ele estava na minha barriga, fiz o mesmo. Ele saiu muito contente e a partir disso passou a ter ainda mais carinho pela barriga, contou Márcia.

As crianças se sentem mais seguras quando são informadas sobre o que está acontecendo na família. Deixá-las se sentirem enganadas pode dificultar os primeiros meses de convivência entre os irmãos, ressaltou Moraes Neto.

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