Conheça histórias de casais que mantêm seus relacionamentos de anos em bom funcionamento e, de quebra, pegue algumas dicas para fugir da rotina conjugal

O quadro é clássico: os dias vão se passando e parece que nada novo acontece. Afinal, são 10, 15, 20 anos de relacionamento, fazendo as mesmas coisas, falando sobre os mesmos assuntos, indo aos mesmos lugares. Natural que uma convivência que beire a monotonia se desgaste, afinal aquele universo novo do início da relação ¿ que precisava ser descoberto ¿ deixa de existir.

Depois de anos, o casal fica tão simbiótico que um não sabe mais onde começa e o outro acaba. Se misturam. Muitos casais ficam até parecidos fisicamente. Isso cansa, porque a presença do outro já virou normal, explica a terapeuta conjugal e sexual Cláudya Toledo. O aborrecimento causado pela rotina traz conseqüências, como crises, traições, decepções, brigas desnecessárias.

Mas esse quadro não deve ser visto como estímulo para acreditar que é impossível viver uma relação duradoura bem-sucedida. O caminho para a manutenção depende unicamente da vontade do casal. Parceiros com pré-disposição para investir geralmente têm guardado boas doses de humor, tolerância e muita criatividade.  Vale lembrar que a saúde de uma vida a dois pode estar, justamente, no imprevisível. Por que não tentar, então, sair da mesmice? Para entender como funciona, na prática, casais revelaram os bastidores de seus bem-sucedidos relacionamentos.

Criatividade, amor e respeito

Estamos juntos há 16 anos e, por incrível que pareça, não tenho quase nada para reclamar dele nesse tempo todo. Ele tem defeitos, claro, mas as qualidades superam muito. Há três anos, chegamos a alugar um apartamento, mas eu estava indecisa, repensando a vida, e achei que precisava de um tempo. Terminamos. Foi muito sofrido para os dois. Mas nunca perdemos totalmente o contato. Resolvemos reatar no final de 2005 e cá estamos.

Por que não casamos? Porque está bom assim, mas pretendemos morar juntos ainda neste ano. Esse papo de segredo para a relação dar certo, para mim, não existe. Os problemas, o desgaste e as brigas acontecem. O que resolve é criatividade, amor, respeito e, principalmente, vontade de fazer com que dê certo, apesar dos tropeços. Eu me considero uma mulher de sorte. Combinamos em muito sentidos: sexual, idéias e objetivos. Tudo é muito prazeroso.

A rotina pode ser boa, sim, e a quebra dela também. É muito particular, cada um que invente seu jeito.Tem clichês batidos, mas muito verdadeiros, como a idéia de que sem dar risada junto não dá certo. Atualmente, parece que está muito fácil trocar de par. As pessoas precisam insistir se quiserem realmente ficar com alguém pro resto da vida. O importante é viver de acordo com o que te faz feliz. Meu relacionamento, para mim, é algo muito valioso e por isso me dedico a cuidar dele.

Giseli Miliozi, 34 anos, redatora, namora Luis Paulo Cervino, 42, gerente de vendas.

Resgatando o passado

 Eu sempre fiz a linha moderna, independente não-preciso-de-ninguém até conhecer o Caio - que parecia ser meu oposto completo. Esse começo de namoro foi a melhor época da minha vida, ele é o cara mais atencioso e fofo que existe (ainda é).  Hoje trabalhamos juntos, temos dois filhos. Problemas com dinheiro (embora todo mundo diga o contrário) não são diretamente perniciosos pra relação. O que mata é que o homem vai ficando meio vitimizado e passa a se defender e a mulher fica atacando, acusando, é muito chato.

Nesses anos todos, tivemos - no máximo- duas crises que me fizeram temer pela continuidade do casamento. A solução foi sempre a mesma: olhar pra trás, procurar aquela pessoa pela qual você se apaixonou, tentar encontrá-la naquele atual parceiro azedo e fazer um resgate. Fizemos terapia de casal uma vez, mas a terapeuta me detestava e ficava protegendo o Caio, e na saída era a maior gozação, ele ficava me provocando e rindo que ela não acreditava em nada que eu dizia... era divertido! Conclusão: o que salva é o bom-humor e a consciência de que tudo que nós temos é muito especial e não pode ser deixado de lado, nem descuidado.

Nós trabalhamos juntos, um apóia o outro e se orgulha do que o outro faz. Apesar de estarmos sempre grudados, incentivamos vidas separadas - ele vai ao clube jogar bola e eu saio com minhas amigas. Como os filhos estão crescendo e não precisam mais da gente em cima, essa fase é meio de redescoberta da companhia do outro e da atenção exclusiva. Viajamos duas vezes por ano, e ficamos sozinhos o máximo de tempo possível, nem que seja pra ler na cama, jogar baralho ou ficar papeando. O sexo muda com o tempo, perde na quantidade e ganha (muito) na qualidade, vira como uma confirmação da escolha que foi feita pra vida toda. É muito bom.

Elaine Gomes Cassinelli, 43 anos, e Caio Cassinelli, 44, editores e donos das editoras  Lira e Leia Sempre, estão juntos há 20 anos.

Contrato de convívio

Quando eu e a Patrícia nos conhecemos, nem podíamos imaginar que ia ser algo que duraria tanto tempo, éramos muito diferentes! Nossos gostos não batiam em praticamente nada, o que contradiz o que as pessoas imaginam quando pensam no par perfeito. Elas só pensam em achar alguém que goste exatamente das mesmas coisas. Só que, muitas vezes, esses gostos a que se referem são coisas superficiais (músicas, filmes, comida, etc.), e se esquecem de ver questões muito mais importantes.

Resultado: como tínhamos a percepção disso, acabamos valorizando o que existia em comum. E acabou dando certo. Tivemos uma crise há mais ou menos um ano, eu pedi pra gente dar um tempo, porque andávamos brigando demais. Algumas diferenças que tínhamos estavam atrapalhando (especialmente o fato de eu gostar mais de sair, e ela de ficar em casa). Foi um período difícil, mas eu tinha certeza de que seria melhor.

No fim, conversamos, os dois cederam um pouco, e funcionou. Tanto que em seis meses eu a chamei pra morar comigo. Fizemos até um acordo por escrito (chamamos de Contrato de Convívio) pra definir a questão das diferenças. Funcionou muito bem. Hoje, o desafio é fazer com que a relação continue sempre legal, mesmo com o passar dos anos. Todo mundo, quando fala disso, vai sempre praquele papo: ah, vou numa sex shop comprar brinquedinhos, ou fazemos jantares românticos etc. Claro, acho que isso é o básico pra dar uma agitada, mas não é suficiente.

Se for pensar de forma mais profunda, acho que temos conseguido uma boa relação aplicando um princípio muito simples: nos propomos novas metas de desenvolvimento em conjunto. Acho que o segredo é esse: ter bastante compreensão, ser flexível, e estar sempre imaginando novos e grandes desafios. Além, é claro, de não deixar de curtir bastante o namoro.

Maurício Martins, 30, e Patrícia Morita, 29, Analista Comercial/Marketing estão juntos há 4 anos.

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