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Verdades e mentiras sobre ovário policístico

Por mais que seja um problema conhecido pela maioria das mulheres, ele ainda gera uma série de confusões. Para saber direito o que é e o que pode fazer à saúde, esclareça aqui suas dúvidas

Nina Bellino

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Ovário policístico é a mesma coisa que cisto no ovário? MENTIRA
São dois problemas totalmente diferentes. "O ovário policístico é resultado de uma disfunção hormonal, com maior produção de hormônios masculinos", responde a ginecologista Rosa Maria Mene, de São Paulo. "Ele faz parte de uma síndrome que se caracteriza por ligeiro aumento do órgão, com vários pequenos cistos bilaterais, resultando em ciclos anovulatórios entre outras alterações físicas e/ou laboratoriais", completa a ginecologista Elisabete Dobao, do Rio de Janeiro.

Já o cisto é uma formação preenchida por líquido que aparece no ovário por causa da ovulação ou alguma desordem ginecológica. "O cisto pode conter sangue (chamado de hemorrágico), água (chamado de folicular) ou endometriose", esclarece Rosa Maria Mene.

O problema surge por causa da genética. TALVEZ
Sua origem ainda é desconhecida pela medicina. Acredita-se que tudo começa com o aumento dos níveis de hormônios androgênicos na puberdade e que até a obesidade é um fator desencadeante. "Sabemos que há uma incidência maior em mulheres cuja mãe e/ou irmãs apresentam o mesmo problema", comenta Elisabete Dobao.

A síndrome aparece na adolescência. VERDADE
Segundo ginecologistas, ela pode ser diagnosticada em qualquer época. Mas tende a se apresentar logo após a primeira menstruação, na fase da adrenarca ¿ início da produção hormonal. Justamente por esse motivo, na menopausa desaparece porque os ovários param de funcionar, assim como a produção de hormônios.

Espinha no queixo é um dos seus sinais. VERDADE
Mas a acne não é o único incômodo a dar as caras. "Os sintomas são decorrentes do aumento de testosterona no corpo da mulher e têm intensidades diferentes", avisa Rosa Maria Mene. Além da acne, que pode afetar rosto, costas e colo, também é comum surgirem obesidade, aumento de pelos, oleosidade excessiva de pele e cabelo, queda capilar e menstruação irregular, com variações na quantidade e duração do sangramento e cólicas. Estes sinais ajudam na identificação da síndrome, bem como o ultrassom e a dosagem hormonal, embora o diagnóstico às vezes seja somente clínico, sem evidências laboratoriais.

Só a cirurgia resolve. MENTIRA
Ela deixou de ser indicada há anos. "O tratamento depende do objetivo da paciente, como regularizar o ciclo menstrual, diminuir pelos ou engravidar, por exemplo. Geralmente envolve a prescrição de anticoncepcionais ou medicamentos à base de hormônios específicos", indica Elisabete Dobao. Quando há excesso de peso, é essencial também enxugar as gordurinhas extras com dieta equilibrada e exercícios físicos regulares.

Ovário policístico leva à infertilidade. NEM SEMPRE
A dificuldade em ter filhos pode ocorrer porque a mulher tem mais ciclos não-ovulatórios. Mas, atenção! "Nos casos mais leves, a gravidez acontece sem qualquer problema", alerta Elisabete Dobao. Por isso, para evitar uma gestação indesejada, vá de camisinha ou use outro método contraceptivo. Outros problemas podem aparecer. Nas pacientes com ovários micropolicísticos há uma maior resistência à insulina e, com o passar do tempo, pode acontecer a diabetes, esclarece a médica. Portanto, procure acompanhamento médico para se prevenir contra esta e outras doenças.

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