Obstetras contam quais devem ser feitos durante a gravidez e para quê servem

Ferramenta poderosa no acompanhamento da gestação em todas as suas etapas, o ultra-som é um método de diagnóstico fundamental para a obstetrícia. O procedimento que permite ver o feto e avaliar seu desenvolvimento tem uma série de outras indicações e pode até identificar pequenos defeitos anatômicos, como a fenda labial, ou diagnosticar se o feto é portador de alguma doença genética, como a Síndrome de Down.

O ultra-som detecta a presença de malformações e consegue avaliar o bom desenvolvimento fetal, afirma Paulo Basto de Albuquerque, doutor em obstetrícia pela faculdade de medicina da USP. Adriano Rotger Armelin, ginecologista obstetra especializado em ultrassonografia e medicina fetal no Hospital São Luiz, concorda: O ultra-som revolucionou a obstetrícia e permite avaliar a evolução da gestação. Esses dois especialistas explicam quais os tipos de ultra-som que toda grávida deve fazer, e suas aplicações. Confira:

No início da gravidez é necessário fazer a ultra-sonografia obstétrica de 1º trimestre. Nesse período da gestação, o ultra-som pode ser feito por via abdominal ou transvaginal, sendo esse último o mais adequado: O ultra-som transvaginal permite observar melhor o bebê, explica o dr. Adriano. Esse exame também tem a função de identificar se a gravidez está dentro do útero ou se é uma gravidez ectópica, mais conhecida como gravidez nas trompas, um problema grave que afeta uma em cada cem gestações. O procedimento também é importante para precisar o tempo de gravidez. Às vezes a mulher acha que está de 8 semanas e na verdade está de 7. É importante saber até para tirar a ansiedade da mãe, afirma o dr. Paulo.

Depois, entre 11 e 14 semanas de gestação, é preciso medir a chamada translucência nucal, área na nuca do feto que se apresentar inchaço muito grande pode indicar alteração genética. O acúmulo maior de líquido na nuca pode sugerir doença cardíaca, que está relacionada com doenças cromossômicas, principalmente Síndrome de Down, explicam os obstetras. O risco do feto apresentar algum problema genético também está relacionado à idade da mãe: Mulheres abaixo de 17 anos e acima de 35, diabéticas, cardiopatas, têm mais risco de ter filhos com Síndrome de Down, diz o dr. Paulo.

No segundo trimestre de gestação, entre 20 e 24 semanas, o ultra-som morfológico, como sugere o nome, avalia toda a formação do bebê: coração, face, rins e outros tecidos. Mais para a frente pode ser feito outro ultra-som para avaliar seu crescimento, afirma o dr. Adriano. Ele recomenda também a realização via abdominal do exame de dopplervelocimetria, para avaliar o fluxo de sangue do bebê e para saber se a placenta está oxigenando e nutrindo-o bem.

Já o ultra-som 3D e o 4D não são de rotina, e têm aplicações muito específicas, além de servirem para ver o rostinho do nenê. Mas em casos de suspeita de deformidade, como uma má formação de face, ou para ver o volume do pulmão, por exemplo, eles são indicados. O tridimensional avalia volume e não tem indicações médicas muito precisas, esclarece o dr. Paulo.

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