MARGIN: 0cm 0cm 0ptFONT-FAMILY: ArialVerdana, Arial, Helvetica, sans-serifEntenda o que e, de onde vem e como enfrentar uma dor que surgiu apos um grande trauma

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Ja n?o e facil lidar com uma situac?o barra pesada. Pior ainda e suportar o sofrimento que vem depois, carregado de lembrancas dificeis de serem apagadas. Nessas horas, todo mundo torce para que, como no filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrancas, inventem a Lacuna Inc., a empresa que apaga memorias. Mas, como isso n?o e possivel, veja como lidar com o transtorno de estresse pos-traumatico.

O que e

O transtorno de estresse pos-traumatico pode ser entendido como uma especie de sofrimento mental relacionado a uma situac?o traumatica de natureza extrema, dirigida diretamente ou indiretamente ao paciente, como sequestro, desaparecimento, homicidio, latrocinio, balas perdidas, violencia sexual, agress?es e assaltos, nas quais a pessoa possa figurar como vitima direta ou indireta, explica o psicologo e professor Matheus Machado, mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP, que atende vitimas de violencia.

Guerras diarias

Estudos sobre esse tipo de sofrimento comecaram com o intuito de restabelecer soldados para o front da Primeira Guerra Mundial. E, a partir da Segunda Guerra, o transtorno recebeu o nome de neurose traumatica ou de guerra. Mas a experiencia das trincheiras hoje cede lugar para a violencia presente no dia-a-dia. As guerras entre nac?es, antes travadas em trincheiras, agora ocorrem entre classes sociais a cada esquina. Essa epidemia, produto de nossas mazelas sociais, e quest?o de saude publica e deveria ser tratada com mais atenc?o ? ja que, so na cidade de S?o Paulo, a taxa de homicidios e de 11.6 por 100 mil habitantes, comenta Machado.

Mas por que comigo?

Ja dizia Shakespeare: Todo mundo e capaz de suportar uma dor, com excec?o de quem a sente. E o que o psicologo tambem explica: Quando falamos das situac?es que desencadeiam essa especie de sofrimento, estamos nos referindo a horrores impensaveis, a fatos e sofrimentos do campo do inimaginavel; ent?o seria leviano tentar explicar o processo da dor alheia. Sabemos que essa e uma possibilidade de enfrentamento da situac?o traumatica e, portanto, uma resposta daquela pessoa para sua dor.

Como identificar?

Antes de tudo, e legal ficar de olho e por perto de quem sofreu violencias extremas. O psicologo cita alguns comportamentos que podem ser sinal de adoecimento: tristeza, medo exacerbado de situac?es cotidianas antes realizadas, isolamento do convivio social, mudancas de habitos alimentares e de sono, lembranca constante do trauma, insonia, ansiedade intensa, depress?o e disposic?o para evitar a qualquer custo a situac?o que se assemelha ao fato violento.

Quem viveu

Fatima Antunes, 35 anos*, sofreu violencia sexual no caminho para o trabalho, a noite. Por meses, so conseguiu sair de casa durante o dia. A escurid?o me remetia ao acontecimento traumatico e me fazia relembrar tudo o que eu tinha vivido. Morria de medo de ficar em casa sozinha e, pra piorar, tive extrema dificuldade de retomar as relac?es afetivas com o meu marido, conta ela.

Jo?o Melo*, 63 anos, tambem foi vitima da violencia urbana e do caotico trafego de automoveis em S?o Paulo. Apos perder o neto de quatro anos em um acidente, sente muita dificuldade em andar de carro, n?o assiste a jornais (acidente e assunto recorrente em qualquer canal, diz ele) e fica muito tenso quando tem que enfrentar ruas movimentadas.

Quase n?o saio mais de casa. E quando vejo uma criancinha com a idade do meu neto, relembro cada detalhe: o resgate, o hospital e a triste noticia do falecimento, comenta, emocionado.

O que fazer?

A forma mais indicada de trabalhar o problema e a abordagem multidisciplinar da situac?o. Muitas vezes os sintomas possuem intensidade e frequencia t?o altas que inviabilizam a realizac?o de atividades como o trabalho ou as relac?es sociais e afetivas, quadro que solicita intervenc?o conjunta do profissional da area de psicologia e de psiquiatria, explica o professor.

Ele faz uma ressalva: Viver uma situac?o de extrema violencia n?o e so o que vai determinar o surgimento desse transtorno. E preciso se considerar outros aspectos no historico dessa pessoa, os modos de ser ou a sua personalidade, conclui.

* Nomes ficticios



Matheus Machado
11 9459-2373/
mathsmo@yahoo.com.br

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