Apenas um laboratório vai abastecer clínicas particulares com doses contra a gripe suína

A vacinação contra a gripe A H1N1 só começa no final de abril nas clínicas particulares e ainda há dúvidas se as doses serão suficientes para atender todos interessados em pagar pela imunização.

Dos dois únicos laboratórios que têm autorização na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercializar vacina contra o vírus da gripe suína, apenas um, a Sanofi Aventis, afirmou que vai vender imunizantes para as unidades privadas com previsão estimada no final de abril. O outro fabricante, a GSK, informou que só abastecerá os serviços públicos.

No início do ano, o Ministério da Saúde definiu como público alvo da vacinação gratuita contra a gripe suína os profissionais de saúde, os indígenas, as gestantes, os adultos entre 20 e 39 anos e as crianças entre seis meses e dois anos. O critério para a escolha da população foi baseado no risco de complicações e morte após o contágio do vírus da gripe suína .

Ficaram de fora da campanha em massa – iniciada nesta segunda-feira e com prazo de término em maio – os adultos saudáveis e maiores de 40 anos, além das crianças e adolescentes entre três e 19 anos. Este público poderia recorrer às clínicas particulares, mas ainda não há data estipulada para que as doses cheguem a estes tipos de estabelecimentos.

A Sanofi informou que ainda negocia o abastecimento das clínicas privadas com a vacina trivalente, que protege ao mesmo tempo contra a gripe A H1N1 e a gripe tradicional – já velha conhecida dos brasileiros. O objetivo inicial do laboratório, explicou a fabricante, foi dar conta das necessidades do serviço público. A previsão é que as doses comecem a ser encaminhadas ao setor particular no final de abril. Ainda não foi informada a quantidade de doses já encomendadas pelas clínicas pagas e não há preço definido da dose.

Espera

As clínicas particulares brasileiras estão em compasso de espera para começar a vender a vacina contra o H1N1. A reportagem entrou em contato com 15 clínicas privadas e duas, uma do Distrito Federal e outra do Rio de Janeiro, já estão fazendo lista de espera aos interessados em pagar pelas doses. O restante dos estabelecimentos contatados – em São Paulo, Bahia, Ceará, Paraná, Pernambuco, Minas Gerais e Goiás –, orientam o público a ligar na segunda quinzena de abril para saber a previsão da entrega das doses.

O professor de infectologia da Faculdade de Medicina do ABC, Juvêncio Furtado, lembra que os laboratórios não tiveram tempo hábil para produzir quantidade suficiente de doses contra o vírus H1N1. Ainda assim, em países da Europa e nos Estados Unidos – que fazem a vacinação desde novembro do ano passado – houve sobra de vacina, mesmo entre as disponibilizadas gratuitamente à população.

“Estive há pouco tempo em Nova York e havia um esforço redobrado para atrair público para a vacinação”, afirma.

No Brasil, os especialistas acreditam que a adesão será maior porque já existe a cultura da vacinação em massa. O total de doses compradas pelo Ministério da Saúde chega a 103 milhões e o objetivo é imunizar 91 milhões de brasileiros de forma gratuita – uma das maiores metas de imunização do mundo. O número de doses adquiridas é considerado suficiente e adequado pelo especialista.

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