Objeto de fetiche, necessidade, proteção, manifesto, ou de pura estética, o sutiã é uma peça extremamente importante no universo feminino

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De coletes de tecido firme, os sutiãs se transformaram em torturantes espartilhos, e só após a Primeira Guerra Mundial as mulheres puderam usar lingeries mais leves.

Nos anos 30, estilistas apostavam nos sutiãs modeladores; a partir das décadas de 40 e 50 foram valorizadas as mulheres de seios fartos; já nos anos 60 os sutiãs foram parar na fogueira e, desde então, nunca mais foram os mesmos. Então, o que esperar do sutiã no século XXI?

A sugestão está na exposição O Soutién , que reúne 25 modelos de diferentes artistas plásticos capazes de transformar a polêmica peça íntima em obra de arte. O tema parece ser tão banal, pois o sutiã é uma peça que passa despercebida. Mas, é algo muito curioso, é um fetiche, uma coisa do sagrado feminino. Ele remete a idéia de amamentação, do câncer de mama, do lado erótico. Enfim, através do sutiã podemos ter muitos olhares, diz o curador da exposição, Robert Richard.

Promovida pela Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem (ABAPC), a exposição conta com o apoio do Teatro Tuca, em São Paulo - local onde a mostra é exibida-, e pela Associação Brasileira do Câncer, que utiliza o espaço e o tema do evento para realizar um trabalho de conscientização da prevenção do câncer de mama.

Todos os artistas fazem parte da ABAPC e cada um, voltado para uma causa específica, dá a sua versão particular do sutiã, a fim de recriar modelos exóticos, exagerados, surreais e conceituais.

O curioso está nos tipos de materiais utilizados nas peças, como a madeira, o metal, o pano, o arame, as penas, a areia, o gesso, os reciclados, e até balas de goma comestíveis! São materiais utilizados pelas próprias mulheres em casa, o que faz com que as obras se aproximem ainda mais do mundo feminino.

Segundo Richard, a mostra está relacionada com a proximidade do dia 8 de março, o Dia da Mulher . A exposição tem o propósito de homenagear a mulher , que sempre desempenhou um papel muito importante na sociedade, além de conscientizar a população sobre o câncer de mama. È muito mais fácil falar de um problema sério, como o câncer, através da arte. Fica mais poético e direto, explica Richard, que também é artista plástico e presidente-fundador da ABAPC.

Paralelamente à exposição, reestréia no Tuca a peça Simpatia, um espetáculo sobre mulheres. Trata-se de uma coleção de histórias reais, que nasceu de entrevistas com pessoas que trabalham como autônomas, vendendo produtos por catálogo e, ao mesmo tempo, buscam alcançar os seus sonhos.

Tem um esquete na peça em que as mulheres usam sutiãs, então a mostra linkou a artes plásticas, com a saúde e o teatro, todos usando a mesma linguagem, afirma Richard.

Após a exposição no Tuca, em março a mostra vai para o Centro da Cidadania da Mulher e, a partir do mês de abril, estará em várias estações do Metrô, sempre utilizando o sutiã como forma de prevenção do câncer de mama e como valorização e expressão da mulher brasileira.

A criatividade vai além

Não é a primeira vez que a ABAPC realiza uma mostra voltada a um tema social. A Associação, que já tem 34 anos de existência, realiza uma média de dez eventos por ano, sempre buscando alguma questão conscientizadora. Em 2007, por exemplo, foi realizada uma mostra sobre vestidos de noiva e que, devido ao sucesso, circula até hoje.

Eram vestidos feitos de abridor de garrafa, de cerâmica, de metal, entre outros. Também buscamos a história do vestido de noiva, da mulher no casamento, que é vista como uma rainha, explica Richard. A exposição começou na extinta galeria Blue Life, foi para três shoppings, e para o Reserva Cultural. Em março, segue para a zona sul, vai para dois metrôs e para a sede dos correios, também para o dia 8.



A exposição
Local: Teatro Tuca (Pontifícia Universidade Católica)
Rua Monte Alegre ¿ São Paulo
Data: 9 de fevereiro a 2 de março
Horários: 2ª a 5ª feira e domingo, das 10h às 18h
6ª feira e sábado, das 10h às 20h
Entrada Grátis

Serviço
ABAPC
Tel.: (11) 6941-8853
e-mail: abapc@abapc.com.br

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