Conheça a história de duas mulheres que tiveram que lidar com uma gravidez não planejada

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A alegria com a chegada do exame de gravidez, com flores do futuro papai e presentinhos dos novos avós, não acontece com toda mulher... Para muitas mulheres, a gravidez chegou na hora inesperada, da maneira errada e com poucas chances de ter um final feliz. Mas, apesar disso, tudo acabou bem.

A mãe como inimiga

Renata* ficou grávida aos 16. Dentre os inúmeros problemas que teve, acabou ficando sem o namorado ¿ que ainda por cima duvidou que o filho fosse dele ¿, não teve apoio dos pais e, para piorar, não tinha dinheiro para o enxoval ou para se preparar para a maternidade. Mas a pior parte, sem dúvida, foi com relação à mãe.

Ela não aceitava a minha gravidez. Quando eu contei, já estava no quarto mês e ela queria que eu fizesse um aborto. Além de eu não querer, não dava mais tempo, lembra ela, que até apanhou quando revelou. Minha mãe chegou a colocar um remédio em um suco, para eu abortar. Me derrubou no chão e eu caí de barriga, mas,  mesmo assim, meu filho nasceu saudável, conta a moça.

O pai da criança percebeu que estava sendo injusto com Renata* e assumiu a criança. Voltamos a namorar e até fomos morar juntos. Ficou tudo bem... Hoje, estamos separados, mas sou muito feliz por ter tido meu filho e com um pai atencioso. Minha mãe se arrepende muito do que fez e ama o neto. Mesmo assim, não a perdoei completamente. Não moro mais com ela e não quero jamais ter que depender dela para criar meu filho.

Gestação conturbada

Eu tinha 17 anos e namorava há um ano quando descobri que estava grávida, lembra Patricia*. Estava terminando o colegial e fiquei desesperada. Pensei: não posso ter um bebê. E logo viu seu primeiro sonho cair por terra. Não conseguia estudar e acabei não passando no vestibular.

A mãe da jovem, quando soube ¿ e depois de ter um chilique ¿ disse que não interferiria na decisão da filha de abortar ou não. E a sugestão do namorado foi que ela tirasse a criança. Tive vontade, mas me faltou coragem. Meu namorado teve dificuldade para aceitar, a família dele também e minha irmã, que sempre foi muito importante para mim, me disse coisas horríveis, recorda-se.

Como não podia ser diferente, a gravidez de Patricia* foi conturbada e colocou sua saúde em risco. Estava desesperada com a expectativa de ser mãe, conta ela. E não foi só isso: Foram muitas brigas durante a gravidez toda. Tive sangramento, descolamento de placenta e quase tive um aborto espontâneo.

Mas o novo pai mudou depois de ver a filha. Após o nascimento de Leila*, ele mudou-se para a casa de Patricia*, com a sogra. Depois, entrei na USP, em geografia e, desde 2008, alugamos um apartamento e vivemos juntos. Agora, estou grávida novamente e estou feliz, pois hoje sei que não sou do tipo de mulher que tira um bebê. Hoje, meu namorado é apaixonado pela filha e até já chorou por ter um dia pensado na hipótese de aborto.

* Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas


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