Estudo em faculdades brasileiras mostra que 47,8% das que estão com peso ideal querem emagrecer

De acordo com um levantamento nacional feito em 37 universidades do País, mesmo as jovens que já estão magras – e sabem disso – preferem perder mais peso para conquistar o corpo que consideram ideal.

Estudo nacional mostra que 64% das universitárias estão insatisfeitas com o corpo
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Estudo nacional mostra que 64% das universitárias estão insatisfeitas com o corpo
Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aplicaram questionário para 2.442 estudantes universitárias matriculadas em instituições de todas as regiões do País. Além de identificar que 64,2% delas estão insatisfeitas com a aparência, o estudo mostrou que o padrão almejado não é o saudável e, sim, o “menor”.

“Quando as pessoas falam que eu estou muito magra, eu considero um incentivo para tentar emagrecer ainda mais”, confirma a estatística a estudante de São Paulo, Livia Riboldi Silva, 23 anos, 1,69 de altura e 51 quilos, índice já considerado “muito magro” para a altura. “Controlo alimentação, faço exercício físico e acho que vou morrer fazendo dieta. No fundo, todo mundo é assim”, diz a jovem que agora não quer “secar” mais, porém sempre passa longe do bolo de chocolate.

Se tivesse participado da pesquisa, ao ser perguntada pelas pesquisadoras como se “enxerga” Livia teria apontado a figura “saudável”, assim como fizeram 26% das entrevistadas. Mas quando questionadas sobre como “gostariam de ser”, 47,8% das participantes escolheram o padrão muito magro, abaixo do peso ideal.

“A insatisfação com o corpo é o maior fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares (como anorexia e bulimia)”, afirma a nutricionista da USP, Marle Alverenga, uma das autoras do estudo. “Os dados que encontramos são muito sérios e muito altos, comparado inclusive aos encontrados em outros países”, completa.

Livia Riboldi Silva, 23 anos, sabe que está magra mas diz que vai
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Livia Riboldi Silva, 23 anos, sabe que está magra mas diz que vai "morrer fazendo dieta"
Situação alarmante

Os resultados do padrão comportamental das universitárias divulgados hoje (11) são os primeiros de um trabalho maior sobre os impactos e origens da má relação das jovens com o próprio corpo. Segundo a pesquisadora Marle, os dados ainda não publicados revelam que a situação encontrada é crítica.

Entre as pesquisadas, 26% têm comportamento de risco para o transtorno alimentar, que inclui fazer dietas quando o peso é proprocional à estatura, fazer críticas constantes a alguma parte do corpo e diminuição gradativa das atividades sociais. “Reunimos várias outras pesquisas também feitas com universitárias de outras partes do mundo, e o maior índice de comportamento de risco que encontramos foi no Paquistão e nos Estados Unidos. Em ambos, a taxa foi de 20%”, completa a especialista.

Não é futilidade

A preocupação extrema com o corpo extrapola o limite da vaidade, não é fútil e tem impacto direto na vida social e também na saúde, afirma a psiquiatra do Programa de Oritntação sobre Transtorno Alimentar (Proata), da Unifesp, Liliane Kijner Kern.

“As jovens podem deixar de frequentar praias, piscinas, festas, locais com outras pessoas e até fazer exercícios com medo da exposição”, completa Marle Alvarenga. “Elas podem até limitar a vida sexual, ficar anêmicas e desenvolver problemas de saúde.”

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