Estudo identifica que o aparecimento de um diminui o risco do outro

As duas doenças que mais ameaçam os idosos podem estar relacionadas. A suspeita vem ganhando força depois de uma descoberta dos pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Washington: eles identificaram que pessoas com doença de Alzheimer têm menos risco de desenvolver câncer. O inverso também foi atestado, ou seja, os portadores de tumores malignos desenvolvem menos o problema de saúde que destrói a memória.

As conclusões estão descritas nos arquivos da Academia Norte-Americana de Neurologia e foram divulgadas pela Agência FAPESP (Federação de Apoio à Pesquisa de São Paulo). O próximo passo é investigar melhor a relação entre as duas enfermidades. A esperança é, ao descobrir a relação entre câncer e Alzheimer, tentar identificar em paralelo novas possibilidades de tratamento dos problemas que tendem a ser cada vez mais comuns com o aumento da expectativa de vida da população mundial.

Para chegar ao indício da ligação entre as duas doenças, 3.020 pacientes com mais de 65 anos foram acompanhados por uma média de cinco anos. No início do estudo, 164 pessoas estavam diagnosticadas com Alzheimer e 522 com câncer. De acordo com o estudo, para aquelas que tinham Alzheimer no início da pesquisa, o risco de desenvolver câncer foi reduzido em 69%. Entre as com diagnóstico de câncer o desenvolvimento da doença que afeta a memória diminuiu 43%.

Os dados da relação entre câncer e Alzheimer ainda estão em fase muito inicial. No entanto, existem mais semelhanças entre os dois. As duas doenças são intimamente ligadas ao envelhecimento populacional. Tanto que são mais diagnosticadas em Estados que concentram maior número de idosos. Outro ponto em comum são as formas de prevenção e de postergar o aparecimento dos sintomas. A dupla – alimentação saudável e exercícios físicos – é a mais indicada para as duas doenças.

Cenário brasileiro

Para 2010, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) projeta 489.270 novos casos de câncer. Sobre Alzheimer, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) diz que a estimativa é de que 7% da população com mais de 65 anos conviva com algum tipo de demência, 50% deles causados pelo mal de Alzheimer. Sônia Brucki, membro do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN diz que entre os analfabetos a incidência é maior, de 11%.

Assim como câncer, lembra Sônia, o Alzheimer também apresenta melhores respostas quando diagnosticado precocemente. “Apesar de já terem aparecido vários personagens nas novelas e filmes portadores de Alzheimer, as pessoas ainda têm dificuldade em identificar a doença. Os casos chegam já em estágio avançado”, afirma a especialista. Por isso, é preciso atenção com as falhas de memórias recorrentes, além de mudanças de comportamento, como agressividade e tristeza.

Para os tumores malignos, o tratamento com quimioterapia e radioterapia pode até eliminar em 100% os tumores. Para o Alzheimer ainda não há cura diagnosticada, mas os especialistas reiteram que existem muitas formas de amenizar as seqüelas e retardar os efeitos mais nocivos, com uso de medicamentos e diferentes terapias. Sônia Brucki diz que alguns hábitos são importantes para protelar o aparecimento da doença: fazer atividades que usem o raciocínio, como leitura, cinema e palavras cruzadas. “Estar sempre disposto a aprender coisas novas, como computação, também é uma ótima receita” diz.

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