Há 40 anos nenhum novo medicamento contra a doença foi colocado no mercado

A tuberculose faz parte de um conjunto de doenças que foram deixadas de lado pelo mercado farmacêutico. Assim como a hanseníase e a leishmaniose, ela é conhecida como doença negligenciada.

Na prática, isso significa que não houve investimentos para produzir novos medicamentos para combater a bactéria causadora da doença. Há mais de 40 anos, nenhum novo remédio foi colocado no mercado.

Laboratório nos EUA: investimento para produzir vacinas contra a doença
Getty Images/Photodisc
Laboratório nos EUA: investimento para produzir vacinas contra a doença
O problema é que, cada vez mais, surgem bactérias super-resistentes aos tratamentos disponíveis no mercado. Além da estreptomicina, costuma-se combater a Mycobacterium tuberculosis, causadora da enfermidade, com rifampicina, isniazida e pirazinamida. Para o pesquisador Marcus Vinícius Nora de Souza, do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Far-Manguinhos/Fiocruz), é preciso investir urgentemente em novos medicamentos para o tratamento da doença. Ele conta que há cerca de seis remédios em fase de testes clínicos, produzidos por laboratórios internacionais, que em breve devem chegar ao mercado.

“Durante muito tempo, os laboratórios não se interessaram em buscar soluções para a doença. Por isso, o investimento do governo em pesquisas é tão importante”, destaca Marcus Vinícius. Na Fiocruz, eles estudam ainda a utilização de extratos naturais de plantas da Amazônia e da Mata Atlântica para produzir fármacos. “Mas ainda não estudos insipientes”, conta.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade de Yeshiva, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta de dois novos medicamentos que podem ajudar a combater a doença e ainda evitar o desenvolvimento da forma mais resistente da bactéria. O tratamento é focado no uso de uma enzima, chamada de GlgE, que ajuda a produzir uma espécie de “auto-envenenamento” das bactérias.

Tratamento mais curto

Outro trabalho que está em desenvolvimento na Fiocruz é a possibilidade de associar antibióticos hoje utilizados para combater outras doenças no tratamento da tuberculose. A expectativa dos pesquisadores é conseguir reduzir o tempo mínimo de tratamento, que hoje é de seis meses. O objetivo é combater o abandono. Marcus Vinícius lembra que muitos pacientes sofrem com reações colaterais dos medicamentos.

Ele acredita que o aparecimento de bactérias multi-resistentes alertou governos e empresas para a importância de se investir seriamente no combate da tuberculose. Além do tratamento mais difícil, ele é mais caro. A forma normal da doença custa cerca de US$ 20 dólares pelos seis meses. A resistente, até US$ 5 mil.

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