Problema, muito comum em mulheres mais velhas, afeta músculos e ossos

Vitamina D: altas doses podem ser ineficazes para melhorar fraqueza muscular e óssea
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Vitamina D: altas doses podem ser ineficazes para melhorar fraqueza muscular e óssea
Mulheres mais velhas com baixos níveis de vitamina D no sangue podem ter maior risco de fraqueza muscular e óssea. Entretanto, constatou uma recente pesquisa, os altos níveis de vitamina D, recomendados por muitos especialistas, podem não oferecer nenhuma proteção.

Ao acompanhar um grupo de 6.300 mulheres idosas durante 4,5 anos, pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, descobriram que aquelas que no início do estudo apresentaram níveis de vitamina D relativamente baixos – abaixo de 20 nanogramas por mililitro (ng/mL) – de alguma forma eram mais propensas a desenvolver fraqueza do que aquelas com níveis altos da vitamina no sangue.

Entretanto, não existe nenhuma evidência de qualquer benefício extra de ter níveis de vitamina D no sangue acima de 30 ng/mL – nível recomendado por alguns pesquisadores para uma saúde exemplar.
“As pessoas costumam presumir que quanto mais, melhor”, disse a Dra. Kristine E. Ensrud, pesquisadora do Centro Médico VA e da Universidade de Minnesota, que liderou o estudo.

Mas, em relação ao risco de fraqueza, ela disse à Reuters Health: “Não encontramos nenhuma evidência que este ‘nível mágico’ de vitamina D ofereça proteção”.

As descobertas vieram logo depois da publicação de um relatório sobre a vitamina D bastante aguardado do Instituto de Medicina dos Estados Unidos (IOM), organismo científico independente que aconselha o governo federal sobre questões de saúde.

Lançado em novembro, o relatório aumentou a dose recomendada de vitamina D para crianças e adultos, e não encontrou evidências suficientes de que a vitamina D, em qualquer nível, tenha benefícios para a saúde além da construção e manutenção de ossos fortes. Ensrud diz que as descobertas de sua equipe, relatadas na revista especializada Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, vão de encontro com as conclusões do IOM.

“A sociedade de certa forma se adiantou às evidências”, disse Ensrud, referindo-se à busca desenfreada pela vitamina D nos últimos anos, impulsionada por estudos que relacionaram a vitamina a de tudo um pouco – desde as funções do sistema imunológico até a depressão e aos problemas cardíacos.
Mas, ainda não se sabe se a deficiência de vitamina D produz riscos excessivos em aspectos tão diversos da saúde – tampouco se o uso de suplementos pode frear tais riscos.

Em relação à fraqueza, Ensrud explicou que alguns estudos já relacionaram baixos níveis da vitamina à fraqueza muscular e à desaceleração de movimentos, mas as evidências foram poucas e conflitantes.
Para testar se níveis baixos de vitamina D no sangue aumentavam o risco da mulher tornar-se fraca, Ensrud e sua equipe acompanharam 6.307 mulheres de idade acima dos 69 anos por uma média de 4,5 anos.

A equipe constatou que, no início, as mulheres com níveis relativamente baixos (abaixo de 20 ng/mL) ou altos (acima de 30 ng/mL) de vitamina D no sangue de alguma forma eram mais propensas a fraqueza – limitações como fraqueza muscular, cansaço e ritmo lento ao caminhar – do que aquelas com níveis moderados da vitamina (20 – 29.9 ng/mL). Entretanto, quando os pesquisadores avaliaram o risco das mulheres se tornarem fracas com o passar do tempo, apenas os níveis baixos de vitamina D foram relacionados ao maior risco.

Das mais de 4.500 mulheres que iniciaram o estudo em boas condições de saúde, 16% se tornaram fracas e quase 10% faleceram durante o período de acompanhamento. O risco de se tornarem fracas ou de morrer foi de 21% maior entre as mulheres cujos níveis iniciais de vitamina D estavam abaixo de 20 ng/mL, quando comparadas às colegas com níveis moderados.

As mulheres que iniciaram o estudo com níveis acima de 30 ng/mL não mostraram nem aumento nem queda no risco de se tornarem fracas com o passar do tempo, quando comparadas às mulheres com níveis moderados.

Por enquanto, Ensrud diz que a melhor aposta para as mulheres mais velhas – e para todo mundo – é seguir as recomendações de dosagem de vitamina D do IOM, ou seja, 800 IU por dia para adultos acima dos 70 anos e 600 IU para todos os outros a partir dos 12 meses de vida.

A pesquisadora diz que o necessário no momento é a realização de testes clínicos que realmente avaliem se o uso de suplementos de vitamina D em idosos pode frear o risco de enfraquecimento.

“Você pode fazer qualquer observação sobre a vitamina D que quiser, mas se realmente quer saber se tal vitamina é útil, é necessário realizar testes clínicos”, disse ela.

A Dr. Heike A. Bischoff-Ferrari, pesquisadora do Centro do Envelhecimento e da Mobilidade da Universidade de Zurique concordou com a necessidade de realizar mais testes para avaliar os efeitos da vitamina.

* Por Amy Norton

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