Os prejuízos podem ir de distúrbios de memória e depressão a problemas na produção de leite. Veja dicas para amenizar o problema

Dormir ajuda na amamentação: durante o sono ocorre a liberação de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite
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Dormir ajuda na amamentação: durante o sono ocorre a liberação de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite
É comum a grávida ouvir conselhos do tipo: “Aproveite para dormir agora, porque depois que o bebê nascer suas noites de descanso nunca mais serão as mesmas”. A previsão, em tom assustador, tem um fundo de verdade – especialmente nos primeiros meses de vida da criança. Afinal, a mãe acaba adaptando seus horários aos do filho. E como os pequenos têm um sono polifásico – acordam e voltam a repousar várias vezes ao longo do dia e da noite –  ela também entra nesse ritmo e não dorme direito.

“O sono tem diversas funções, como restabelecer o bem-estar físico e mental. Com uma noite bem dormida temos condições de enfrentar as atividades diárias. É durante esse período também que ocorre a consolidação da memória”, explica a ginecologista Helena Hachul, pesquisadora do Departamento de Psicobiologia da disciplina de Medicina de Biologia do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Uma função específica que acontece durante o sono nas mulheres é a liberação de prolactina (hormônio responsável pela produção de leite). “Por isso a mulher deve dormir bem enquanto estiver amamentando. Até mesmo aproveitar as horas em que o bebê dorme para preservar a produção de leite”, adverte a médica da Unifesp.

Quantidade e qualidade

“O ideal seria dormir de sete a oito horas por noite”, afirma o médico Rubens Reimão, coordenador científico do Departamento de Neurologia da Associação Paulista de Medicina (APM). No entanto, segundo o especialista, existem os “dormidores curtos” (que se satisfazem com menos de seis horas de descanso) e os “dormidores longos” (que necessitam de mais de nove horas de sono).

Mas tão importante quanto o número de horas, são a continuidade e a profundidade do sono. Quando ele é fragmentado e não-reparador, como frequentemente acontece no pós-parto, a mulher fica mais sujeita a exaustão física e emocional, irritabilidade, distúrbios de memória, depressão e também pode ter problemas com a amamentação.

“No período pós-parto é importante estar atenta aos distúrbios de sono. E havendo suspeita de algum problema, deve-se procurar um profissional habilitado pra investigar, diagnosticar e tratar o caso da melhor forma possível”, aconselha a médica Helena Hachul.

Felizmente, após o bebê estabelecer sua rotina de sono, algumas semanas ou meses após o nascimento, o repouso da mãe também tende a normalizar.

Dicas para melhorar o sono no período

- Tente dormir enquanto o bebê dorme. O sono é fundamental para a produção de leite

- Faça a última refeição até às oito da noite. Prefira pratos leves e de fácil digestão

- Evite atividade física depois das seis da tarde, mas procure realizar algum exercício prazeroso e relaxante durante o dia

- Tente tirar um cochilo, mesmo que curto, durante o dia: 20 minutos são suficientes

- Reduza a luz ambiente nas horas em que for descansar. Isso ajuda o cérebro a secretar a melatonina, o hormônio do sono

- Antes de ir para a cama, tome um banho morno ou recorra a técnicas de respiração e relaxamento para induzir a um sono mais tranquilo

- Aos poucos vá estabelecendo uma rotina de sono para o bebê. Comece por mantê-lo em ambientes com bastante claridade durante dia, estimulando-o com carinhos e brincadeiras, sem se preocupar muito com o barulho a volta. À noite, faça o contrário: diminua as luzes e preserve o silêncio

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