Variação hormonal da menopausa deixa mulheres mais vulneráveis à doença

Queimação, ardência, coceira e sensibilidade exagerada à luz. Esses são os desconfortáveis sintomas da Síndrome do Olho Seco, que tem a incidência aumentada de 10% para 20% no inverno.

O levantamento feito pelo Instituto Penido Burnier, em Campinas (interior de São Paulo), sugere que a mudança aconteça principalmente por causa da poluição, que tende a ser agravada nos meses de frio.

Outros fatores podem piorar a situação, como permanecer muitas horas em frente ao computador, ficar exposto à fumaça de cigarro, e permanecer em lugares fechados com ar-condicionado ou calefação.

A síndrome é caracterizada por diversos problemas que resultam na falta de lubrificação do olho. Além do desconforto, a doença impede o uso de lentes de contato e pode até ser um obstáculo para realização de cirurgias oculares.

O olho fica desprotegido quando está seco, especialmente em sua porção interior. Córnea e conjuntiva acabam vulneráveis a repetidas infecções, o que eleva o risco de úlceras e cegueira.

Colírio é recomendado contra Síndrome do Olho Seco
Thinkstock/Getty Images
Colírio é recomendado contra Síndrome do Olho Seco
Menopausa

“As variações hormonais da menopausa também tornam o problema mais frequente”, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Banco de Olhos de Campinas.

Com o passar dos anos, a pessoa perde gradualmente sua capacidade de produção lacrimal. “Aos 65 anos, se produz 60% menos lágrimas que aos 18 anos”, comenta.

Essa perda pode ser acelerada pelo uso de alguns remédios, como descongestionantes, tranquilizantes, antidepressivos, pílulas para dormir, pílulas anticoncepcionais e até por medicamentos contra pressão alta.

O que fazer

O tratamento inicial é simples. Basta usar colírio sem conservante para substituir a lágrima, sendo que esse método pode ser auxiliado por uma pomada de vaselina usada à noite. Ela alivia o desconforto noturno, que chega a prejudicar o sono de alguns pacientes. Nas situações mais extremas, Queiroz Neto explica que a glândula lacrimal inflama, sendo preciso usar colírio à base de ciclosporina por seis meses.

Os colírios são o primeiro passo terapêutico, mas existem outras medidas, bem mais simples, que ajudam. Queiroz Neto recomenda:

1- Reduzir a ingestão de carne bovina, carboidratos e gorduras
2- Comer nozes e linhaça (por causa do ômega-3)
3- Proteger os olhos do vento e da poeira
4- Beber água com frequência para hidratar o corpo
5- Evitar aquecedores
6- Aumentar a ingestão das vitaminas A e E
7- Evitar travesseiros de pena

Fita no olho

Não basta apresentar os sintomas da doença uma vez para receber o diagnóstico de olho seco. É preciso passar por um exame, além de uma investigação clínica para identificar a causa do problema.

O exame é feito com uma tira de papel de 35x5mm. Ela é colocada no olho e deixada lá por cinco minutos. Esse papel irá medir a quantidade de produção e velocidade da evaporação lacrimal. Se menos de um terço da fita estiver seco após cinco minutos, o diagnóstico é positivo. Além da produção, é importante verificar a velocidade da evaporação da lágrima porque isso dará dicas da origem da síndrome.

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