Muitos médicos não falam sobre o tema com mulheres que sobreviveram à doença

Sexualidade é tema pouco abordado após tratamento contra o câncer
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Sexualidade é tema pouco abordado após tratamento contra o câncer
Muitas mulheres que sobrevivem a um câncer ginecológico ou de mamas dizem que gostariam de receber ajuda em relação às questões sexuais, mas poucas delas efetivamente procuram por aconselhamento, é o que mostra um novo estudo do Centro Médico da Universidade de Chicago.

Poucos médicos sabem como abordar as questões em relação aos efeitos do câncer sobre a sexualidade com suas pacientes, algo que não ocorre, por exemplo, os pacientes são homens em tratamento do câncer de próstata, afirma Stacy Tessler Lindau, professora associada de obstetrícia e ginecologia e autora do estudo.

“É crucial que os médicos que tratam de mulheres com câncer saibam que as questões sexuais geralmente são de ordem física”, diz ela.

“Os problemas físicos associados ao tratamento de câncer podem abalar os relacionamentos, causando preocupações e estresse e mesmo se tornando um fator isolador – muitas mulheres que nos procuram se sentem envergonhadas, culpadas e sozinhas. Elas sentem como se o problema estivesse quase que exclusivamente na mente delas”.

Dores, secura vaginal, perda do desejo, dificuldades de se excitar e atingir o orgasmo, além de preocupações em relação ao próprio corpo são alguns dos problemas sexuais vividos por algumas dessas pacientes. Outras também relataram que se sentem menos atraentes depois do tratamento.

Participaram do estudo 261 mulheres que sobreviveram a um câncer ginecológico ou de mama, entre os 21 e os 88 anos de idade, com idade média de 55 anos. A equipe de pesquisa constatou que 42% delas tinham interesse em receber ajuda médica em relação a problemas sexuais, mas apenas 7% procuram por aconselhamento.

As mulheres que já haviam terminado o tratamento há mais de um ano se mostraram muito mais propensas a querer aconselhamento do que as que ainda estavam em tratamento – 47% contra 32%. As mais jovens demonstraram maior preocupação com os problemas sexuais do que as mais velhas, embora mais de 22% das mulheres acima dos 65 anos também tenham respondido que gostariam de receber cuidados médicos para os problemas sexuais, disseram os pesquisadores. O estudo foi recentemente publicado online na revista especializada Cancer.

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“Algumas mulheres têm coragem de conversar com o médico sobre suas preocupações sexuais, embora estudos repetidos mostrem que elas preferem que o profissional aborde o assunto primeiramente”, dz Lindau.

“Os médicos geralmente tentam entender as preocupações do paciente, mas lutam pela falta de conhecimento sobre como oferecer ajuda”, ela complementa.

Lindau e outros médicos de Illinois estão trabalhando no desenvolvimento de um programa para ajudar tanto médicos quanto mulheres com câncer a lidar com tais questões.

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