Grupo técnico fiscaliza embarcações para evitar doenças nos navios

No início do ano passado, após cinco mortes de turistas serem registradas em cruzeiros diferentes, um grupo técnico formado por integrantes de três Ministérios (Turismo, Trabalho e Saúde) foi criado com o intuito de garantir a segurança e o bem-estar nas embarcações.

A parte da fiscalização da higiene, das boas práticas na cozinha e das adequações de serviços médicos compete à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada à Saúde.

Em entrevista ao Delas, a gerente de orientação ao viajante da Anvisa, Karla Baeta, afirma que todos os navios que desembarcam em portos brasileiros são fiscalizados de forma rotineira e que as denúncias da população são importantes ferramentas para direcionar os trabalhos dos fiscais.

Desde que o grupo foi criado, já foram recebidas 63 denúncias, uma média de uma a cada cinco dias. O total de casos que chegaram à agência desde a criação do grupo representa 45% de toda série histórica (em dez anos, foram 140). Confira a entrevista.

Delas: Desde a formação do grupo técnico, quais foram os avanços na área da saúde?
Karla Baeta: O grupo técnico de turismo náutico cuida de questões que vão além da saúde, vale lembrar. Com a retomada dos trabalhos na equipe conjunta, consolidamos todas as orientações necessárias para uma viagem segura de navio. Na aérea de saúde, especificamente, indicamos que antes de viajar de navio, a pessoa deve pedir orientações a seu médico de rotina. Quem estiver com febre, tosse e mal estar não deve embarcar. Isso porque, no navio, o paciente pode piorar o quadro ou ser disseminador de doenças. É prudente falar com a agência de viagem pois nesses casos é garantido o adiamento do cruzeiro por motivo de saúde.

Delas: Existe alguma obrigatoriedade de número mínimo de equipe médica por cruzeiro?
Karla Baeta: Não existe uma regra, mas em geral é definido um médico para cada 1.000 passageiros. Em geral, as pessoas que trabalham em navios são capacitadas para a função. É importante que após o primeiro sintoma o médico seja procurado. Outra orientação é utilizar alimentos de origem segura, água mineral e evitar o gelo.

Delas: Como são feitas as inspeções nos navios e qual é a rotina de fiscalização?
Karla Baeta: A inspeção verifica os resíduos gerados nas embarcações e se todas as práticas de alimentos nas cozinhas estão em conformidade. Nossa rotina é fiscalizar todas as embarcações, mas não em 100% dos cruzeiros. Ou seja, pelo menos uma vez o navio passa pelos nossos fiscais, de preferência no embarque. Consideramos ainda o número de escalas e condições já apresentadas nas fiscalizações prévias e a possível necessidade de inspecionar mais uma vez. Isso pode variar de acordo com um evento de saúde a bordo ou pelas denúncias que recebemos. E, no caso dos cruzeiros, recebemos muitas denúncias.

Delas: Com o aumento de cruzeiros, é necessário aumentar o número de fiscais?
Karla Baeta: O número de fiscais tem atendido à demanda. Além disso, contamos com a colaboração dos agentes dos municípios e do Estado. Quando há necessidade, temos o apoio. Hoje, não há necessidade de novas contratações.

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