Procedimento pode salvar a vida de pessoas com leucemia, como a atriz Drica Moraes, que conseguiu um doador compatível

O primeiro desafio da atriz Drica Moraes, de 40 anos, já foi superado. Ela conseguiu encontrar um doador de medula óssea compatível no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea). “As chances de encontrar alguém compatível, que não seja parente, são uma em um milhão”, ressalta Rodrigo Santucci, hematologista dos hospitais Bandeirantes e Leforte.

Drica está com leucemia, uma espécie de câncer no sangue. Seu próximo desafio vai ser a recuperação do transplante, realizado nesta quarta-feira (23), no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ela está internada desde o dia 14, quando começou a se preparar para a cirurgia. A atriz já havia sido hospitalizada diversas vezes no Rio de Janeiro, onde mora, para se submeter a sessões de quimioterapia.

A atriz Drica Moraes está internada em São Paulo
Agência Estado
A atriz Drica Moraes está internada em São Paulo
Achar um doador compatível no registro nacional não é tarefa fácil, apesar do Redome já possuir o arquivo de 1,4 milhão de doadores em potencial. “Para estar cadastrado basta fazer um exame de sangue simples, que retira apenas 5 ml”, detalha Santucci.

Com esta pequena amostra de sangue, o doador em potencial ganha um cadastro que poderá ser usado para comparar com informações de pacientes. Atualmente, o Brasil tem 1.073 pessoas em busca de um doador compatível, de acordo com o Ministério da Saúde.

“Só depois de confirmar a compatibilidade o doador é chamado. Mesmo assim, será preciso fazer outros exames para verificar se a saúde dele está boa”, afirma o médico. Hoje, o país tem 89 pacientes aguardando as confirmações deste estágio, segundo o Ministério da Saúde.

Santucci ressalta a importância de fazer um cadastro no Redome, pois só assim as chances dos pacientes melhoram. “Diferente do que se imagina, não é preciso doar a medula antes de todas as confirmações”, diz.

Compatibilidade

As chances do paciente são maiores quando ele procura um doador entre familiares. Um irmão, por exemplo, oferece 25% de chance de compatibilidade. “Se a pessoa tiver quatro irmãos, provavelmente um deles será compatível”, explica Carlos Chiattone, professor de hematologia da Santa Casa de São Paulo.

Para análise de compatibilidade, é preciso realizar um exame de sangue chamado histocompatibilidade. Ele verifica os genes do cromossomo 6, que devem ser iguais entre doador e receptor, de acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer).

Doação

O procedimento é simples e seguro. Os médicos usam uma agulha para retirar cerca de 15% do volume da medula óssea, na região da bacia do doador. Esta quantia é considerada pequena, e não causa prejuízo nenhum à saúde do doador. Em poucos dias, a medula óssea dele já está totalmente recuperada.

“Existe outro procedimento ainda mais simples, que é feito a partir do sangue. Por um processo chamado mobilização, as células da medula são levadas ao sangue e colhidas por exame”, detalha o Chiattone.

Transplante

No método chamado de alogênico, o transplante é feito com material colhido de um doador. Mas antes, o paciente passa por sessões de quimioterapia que destroem as suas células doentes da medula óssea. Depois, as células sadias do doador são aplicadas por uma transfusão de sangue.

"Esse método é mais complicado porque o paciente precisa tomar imunossupressores, o que vai deixar seu organismo mais vulnerável à infecções", alerta Santucci.

A fase crítica da recuperação dura de duas a quatro semanas. Neste período, o paciente pode ter uma doença chamada enxerto contra hospedeiro. É uma complicação autoimune, caracterizada pelo ataque das células transplantadas às células e tecidos do paciente. Mas isso pode ser controlado com medicamentos.

Em outro procedimento, chamado autólogo, os médicos utilizam células da própria medula óssea do paciente. "Esse método é mais usado em caso de mieloma múltiplo e linfoma, quando vai ser aumentada a quimioterapia", explica Santucci. Contudo, as duas técnicas podem ser aplicadas em qualquer situação.

O risco de morte para o paciente é de aproximadamente 5%. Em 2009, foram feitos 1.531 transplantes de medula óssea no País.

Doenças da medula

O transplante de medula óssea é necessário quando o paciente tem algum câncer de sangue, como leucemia, linfoma e mieloma múltiplo.

Há casos em que o procedimento também é indicado para outras doenças que atacam a medula, como neoplasia da medula e doenças autoimunes (quando as defesas naturais se voltam contra o próprio organismo).

Medula óssea e medula espinhal

A medula óssea é um líquido gelatinoso no interior dos ossos e responsável por produzir os componentes do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas.

Já a medula espinhal, ela consiste nos nervos que ficam dentro da coluna vertebral e viabilizam a comunicação entre cérebro e outras partes do corpo, por meio dos impulsos nervosos.

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