Pesquisa mostra que maioria da população (57%) não reconhece os sinais da doença perigosa

As mulheres estão na liderança de um ranking nada positivo. Elas reúnem mais fatores de risco que os homens para trombose ou embolia pulmonar, problemas potencialmente fatais.

Quanto maior é o risco, mais concentrado ele está no sexo feminino. Isso é o que revela uma pesquisa Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) divulgada hoje (26), feita com 1.008 entrevistas no País.

O levantamento mostra ainda que a região Sudeste concentra quase metade (44%) das pessoas com risco de tromboembolismo venoso. Apesar disso, a maioria da população brasileira (57%) não sabe ao certo o risco que essa doença representa, nem seus sintomas.

Grupos de risco por região do País

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Ibope

Tromboembolismo venoso

O nome parece complicado, mas o mecanismo da doença é simples. Trata-se de um bloqueio no fluxo sanguíneo, causado por coágulo, que pode causar dois problemas. O mais comum é a trombose venosa profunda, também chamada por tromboflebite profunda, e mais comum nos membros inferiores. “Dor, inchaço e endurecimento das pernas formam a tríade da doença”, afirma Guilherme Pitta, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Mas o verdadeiro perigo está na outra manifestação da doença, a embolia pulmonar. Ela acontece quando o coágulo (ou o trombo) vai para a circulação sanguínea e segue para os pulmões. Lá, pode haver uma obstrução que, dependendo da gravidade, pode prejudicar a respiração ou matar.

Perfil dos grupos de risco

Por sexo

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Ibope

Impacto no País

A incidência do tromboembolismo no País é de 0,6 caso para cada mil habitantes, segundo dados da Unesp (Universidade Estadual Paulista). As internações no SUS (Sistema Único de Saúde), entre janeiro de 2008 e agosto de 2010, passam de 85 mil, com mortalidade de 2,38%.

Se comparadas às taxas de mortalidade do câncer (7,59%) e de doenças do aparelho circulatório, que incluem o infarto e chegam a 7,82%, a trombose representa um terço das mortes das duas doenças com maior índice de mortalidade no País. “Só a embolia pulmonar já é responsável por 10% das mortes em hospitais”, afirma Pitta.

O custo disso também não é pequeno. Foram gastos pelo governo R$ 46,6 milhões nos últimos dois anos e meio com internações causadas pela doença.

Onde vive o risco

A pesquisa Ibope revela que 43% da população entrevistada já ouviu falar em trombose, mas não sabe como prevenir a doença. O primeiro passo é conhecer os fatores de risco. São eles:

- Idade acima de 40 anos
- Excesso de peso ou obesidade
- Varizes nas pernas
- Gravidez e pós-parto
- Câncer
 - AVC (acidente vascular cerebral)
-Traumas, especialmente nos membros inferiores e que requeiram redução de mobilidade temporária
- Doenças crônicas, como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica
- Uso de contraceptivo oral (anticoncepcional)
- Uso de medicamentos como quimioterápicos ou tratamentos hormonais

“É uma obrigação de todo médico observar esses fatores e alertar para o risco de trombose ou fazer acompanhamento do paciente”, ressalta Ana Thereza Rocha, professora do serviço de pneumologia do hospital da Universidade Federal da Bahia.

A atenção deve ser dobrada em pacientes internados para serem submetidos à cirurgia de joelho ou de quadris, que chegam a ter de 50% a 60% de risco de trombose.

Outra combinação perigosa é estar obeso, ter mais de 40 anos e passar por qualquer tipo de procedimento cirúrgico. Isso aumenta em até 25% o risco de trombose.

No caso das mulheres, a parceria entre usar contraceptivo oral, ser fumante, ter mais de 35 anos e se submeter a uma cirurgia plástica é o que representa maior risco. “É preciso estar atento, porque a embolia pulmonar, pior consequência da trombose, é a causa mais comum de morte hospitalar evitável”, afirma Ana Thereza.

A médica destaca ainda outro estudo recente, chamado de Endose, no qual é mostrado o risco médio de pacientes clínicos e cirúrgicos hospitalizados de terem tromboembolismo. Os pacientes cirúrgicos têm um risco maior, de 66%, enquanto dos clínicos é menor, de 46%.

“Mas os medicamentos preventivos são prescritos a apenas 51% dos pacientes com risco”, afirma a médica. E essa prevenção, avalia a especialista, deve continuar mesmo após a alta médica, porque cerca de 18% dos episódios em pacientes clínicos acontece fora do hospital.

Prevenção

Muitas das medidas de prevenção podem ser adotadas sem ajuda médica. Veja as principais:

Faça caminhadas regularmente
Não fume
Controle seu peso
Quando estiver em pé e parado, faça movimentos como se estivesse andando
Se estiver acamado, faça movimentos com os pés e as pernas
Se ficar sentado por muito tempo, movimente os pés como se estivesse andando

O uso de meias de contenção pode ser indicado para quem tem inchaço nos joelhos e existem algumas medicações indicadas para o caso de viagens longas, mas essas medidas só devem ser adotadas com orientação médica.

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