Doenças também acometem jovens e não são comuns apenas em idosos

Reumatismo: a cada três mulheres, apenas um homem apresenta o problema
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Reumatismo: a cada três mulheres, apenas um homem apresenta o problema
Quando se fala em doenças reumáticas a primeira imagem que nos vem à mente é a de um idoso sofrendo com dores nas articulações. A cena, no entanto, reflete a pouca informação sobre o tema. O reumatismo é um conjunto de mais de 100 doenças diferentes que tem sintomas parecidos – como a dor e o inchaço das juntas -, mas se desenvolvem de maneira diferente.

A grande maioria acomete crianças, jovens e adultos, principalmente as mulheres. “De todo esse universo, apenas a gota e a espondiloartrite (inflamação da coluna) atingem mais os homens. No restante dos casos, elas são em maior número”, relata Luiz Carlos Latorre, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR).

Pouca gente sabe, por exemplo, que a tendinite, problema tão conhecido de jovens que passam muito tempo no computador, é uma dessas doenças. A osteoporose também. Dentro desse extenso grupo, a artrose é uma das doenças mais conhecidas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), no Brasil são cerca de 20 milhões de pessoas com artrose, um dos tipos de doença reumática.

Neste domingo, a Sociedade Paulista de Reumatologia promove a campanha “Reumatismo é Coisa Séria”, a fim de conscientizar a população sobre a doença e alertar para a importância do diagnóstico precoce e correto. O Delas conversou com Luiz Carlos Latorre, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia.

iG: Quais as principais doenças reumáticas?
Luiz Carlos Latorre: São mais de 100 tipos, mas são varias que compõe esse grupo. As mais comuns são aquelas relacionadas a estruturas próximas às articulações, portanto, as tendinites, lombalgites, bursites, LER, entre outras. Elas são extremamente comuns e causas de diversos afastamentos de trabalho.


iG: Quais as principais características?
Luiz Carlos Latorre: Dor, inchaço e aumento das articulações.


iG: Ainda existe uma crença de que o reumatismo é uma doença de velho. Ela também atinge a população mais jovem?
Luiz Carlos Latorre: A artrite reumatóide, por exemplo, e o lúpus são doenças que caracteristicamente começam em uma faixa etária mais jovem: aos 30, 40 anos. E são bem mais frequentes nas mulheres, na proporção de três para um, em geral. No caso do lúpus, o número aumenta de nove para um.

Crianças podem apresentar a artrite idiopática juvenil, um inflamação nas articulações que aparece por volta dos 16 anos, com dor, inchaço e aumento de temperatura nas articulações. A criança não se queixa tanto de dor, mas tem de fazer algum movimento, como dificuldade para estender o joelho ou andar. 


iG: Quando as pessoas sentem dores, em geral vão ao ortopedista e não a um reumatologista. Isso pode atrasar o diagnóstico correto?
Luiz Carlos Latorre: Muitos adultos têm dores nas costas, que pode ser problema de trabalhar numa posição ruim, uma dor que chamamos de mecânica, ou pode não ser. Então, muitos pacientes são tratados por anos como se tivessem dor postural e, às vezes, é início de um reumatismo.

iG: É possível evitá-las?
Luiz Carlos Latorre: Alguns tipos sim. Existe um componente genético importante, o que aumenta o risco. Com esse componente é mais difícil de evitar, mas existem formas de prevenir. A osteoporose, por exemplo, que é um dos tipos de reumatismo. È preciso ingerir bastante leite, fazer exercícios, pegar sol. São atitudes que contribuem para manter o problema afastado. Com a gota, é preciso perder peso, adotar uma dieta mais saudável, controlar o colesterol.

Além disso, é importante realizar exames frequentemente a fim de afastar possíveis doenças. Quando mais cedo se fizer um diagnóstico, é possível prevenir a disfunção da articulação e garantir qualidade de vida ao paciente.

iG: Qual o tratamento?
Luiz Carlos Latorre: O tratamento mais apropriado vai depender de qual dos tipos de doença a pessoa está sofrendo. Para a osteoporose, por exemplo, pode ser necessário a reposição de cálcio, assim como a exposição ao sol e inclusão de atividades físicas na rotina. Vai depender de cada caso, o correto é sempre consultar um especialista que possa fazer o diagnóstico e indicar o melhor tratamento, levando em conta idade e gênero do paciente e estágio do problema.

iG: Qual a importância do diagnóstico precoce?
Luiz Carlos Latorre: O tratamento é mais adequado, a chance de lesão e de ficar sem movimento é menor.


iG: Em alguns casos, é preciso realizar adaptações na vida do paciente? Quais seriam elas?
Luiz Carlos Latorre: Em geral, as adaptações são indicadas para pessoas com artrite. É possível tornar o cabo dos talheres mais grossos, por exemplo, com uma espuma específica, ou ainda modificar a torneira substituindo o modelo de forma que não seja preciso realizar o movimento de girar, que é difícil para esses pacientes. Além disso, é interessante regular a altura da cama e do vaso sanitário.

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