Oncologistas e cardiologistas planejam lançar uma diretriz de tratamento no início de 2011

Médico deve acompanhar a saúde cardíaca de pacientes em tratamento contra o câncer
Thinkstock/Getty Images
Médico deve acompanhar a saúde cardíaca de pacientes em tratamento contra o câncer
Não basta ter forças para lutar contra o câncer de mama, a mulher também precisa estar atenta aos possíveis efeitos colaterais dos quimioterápicos. Um deles é a insuficiência cardíaca, problema nem sempre bem acompanhado pelos médicos.

O risco parece mais alto entre pacientes que já foram submetidas a tratamentos com diferentes medicações. “Os inibidores de tirosina quinase têm causado mais este problema”, explica Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Albert Einstein. Essa medicação é uma alternativa quando os demais tratamentos não apresentam bons resultados.

De modo geral, o combate ao câncer gera 30% mais riscos de complicações cardíacas. Por isso, os médicos estão se organizando para lançar em janeiro de 2011 a primeira diretriz nacional de cardio-oncologia.

“Vai ser um manual com as drogas que podem causar efeitos prejudiciais, os tipos de efeitos e as medidas que devem ser adotadas como prevenção e tratamento”, esclarece o cardiologista Roberto Kalil Filho, do Instituto do Coração (Incor).

O médico explica que vários medicamentos agridem o coração. “As complicações são infarto, arritmia, hipertensão e insuficiência cardíaca”, enumera.

Impasse

Os inibidores de tirosina quinase representam um verdadeiro impasse para os médicos. Por um lado, eles já demonstraram bons resultados no combate a muitos tipos de tumores, como câncer de mama, de cólon e de intestino, entre outros.

Por outro lado, a medicação realmente pode ser tóxica ao coração. “A medicação também é usada contra câncer de rins e de fígado. Às vezes, é a última alternativa”, ressalta Kaliks.

Existem ainda outros fatores que agravam a situação. A idade cada vez mais avançada dos pacientes é um deles. As novas medicações contra o câncer têm se mostrado eficientes em retardar o avanço do tumor, aumentando a sobrevida. Mas a idade avançada é também um fator de risco para doenças cardíacas.

Esse risco é maior caso o paciente já tenha histórico de excesso de peso, hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo ou tabagismo.

Em meio a esta situação delicada, os médicos precisam procurar outras alternativas para tratarem seus pacientes. “Não podemos ignorar os benefícios das medicações. Temos que ter os cuidados necessários para reduzir os riscos”, afirma o oncologista do Albert Einstein.

A diretriz deve ajudar a esclarecer qual decisão tomar em cada situação. “São necessários exames preventivos do coração, que podem ser refeitos com maior ou menor frequência, depende da medicação usada e do quadro do paciente”, afirma Kalil.

Tumor nas mamas

Um dos tratamentos mais utilizados no combate ao câncer de mama é feito com antraciclinas. “Esta medicação já é usada há mais de 20 anos e tem um risco pequeno de toxicidade para o coração”, explica Kaliks.

Contudo, ela pode apresentar problemas agudos, enquanto a paciente ainda está sendo tratada, ou complicações a longo prazo, depois que o câncer tiver sido curado. “Por isso, o paciente não deve ter o acompanhamento cardíaco descuidado”, alerta o oncologista.

Existe ainda outra classe de medicamentos, usada em 25% das pacientes com câncer de mama, que pode apresentar apenas complicações cardíacas agudas. É o trastuzumab. “Exames para o coração, como o ecocardiograma, podem ser realizados de três em três meses para detectar qualquer complicação precocemente”, afirma.

Se alguma alteração for detectada, o médico irá suspender a medicação. “A vantagem do trastuzumab é que ele pode voltar a ser usado, enquanto as antraciclinas precisam ser suspensas de forma definitiva”, compara o médico.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.