Morador de cidade litorânea está entre os que menos se protege contra sol

Com a chegada do inverno, é hora de repensar os prejuízos acumulados durante a época mais quente do ano.

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB), divulgada nesta semana, fez um raio-X brasileiro sobre o uso da proteção solar em todo País e mostra que a situação é crítica.

Na praia de Ipanema, jovens tomam sol: 70% fazem sem proteção
Futura Press
Na praia de Ipanema, jovens tomam sol: 70% fazem sem proteção
O desleixo foi identificado em todo território nacional e nenhuma capital brasileira atingiu a média ideal de uso de filtro, suficiente para evitar doenças graves de pele.

A negligência é uma das principais responsáveis pelos 328 casos de câncer de pele que todos os dias são registrados no País.

Os moradores de cidades litorâneas não deram exemplo e estão entre os que mais ignoram a proteção.

Enquanto em Brasília, por exemplo, 33,52% da população pesquisada afirmou fazer uso dos bloqueadores, em Recife a média caiu para 27,15%. Em Vitória a taxa foi de 28,03% e Salvador 24,19%, as últimas do ranking nacional. Até a São Paulo “cinza” ficou à frente destas praianas, com 28,9% de índice de uso.

Rio de Janeiro e Florianópolis registram vantagem estatística, com média de uso de 30% e 50,06% respectivamente. Ainda assim, os dados encontrados entre os cariocas não são considerados bons. Nem mesmo a liderança estatística de uso de protetor registrado nas praias de Floripa convenceu os especialistas.

A pesquisa feita com 34.435 pessoas de todas as capitais do País e a média nacional de não uso de proteção solar ficou em 70%, um universo amplo de vulnerabilidade ao câncer de pele.

“As pessoas ainda vivem na fase de usar bronzeador e não protetor, isso em todo Brasil. Prevalece a noção de que estar bronzeado é indicador de saúde, status de boa condição sócioeconomica”, afirmou o dermatologista Omar Lupi, presidente da SBD.

Desconhecimento X resistência

Para Lupi, o grande responsável pelos baixos índices de uso de protetor solar entre os brasileiros é o desconhecimento. “As pessoas ainda acham que o produto é para uso estético, quando o filtro solar é um remédio contra o câncer de pele”, diz o presidente da SBD.

Este tipo de câncer, inclusive, cresce anualmente no País. As projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca) informam que serão registrados, até dezembro deste ano um total de 119.780 notificações.

O desconhecimento de que os raios solares podem ser inimigos da pele tem uma outra aliada para prejudicar a saúde: a resistência. Os homens em especial batem o pé na hora de usar e, quando fazem, precisam da ajuda (muita insistência) da mulher. Fato que está relacionado a liderança masculina nas estatísticas de câncer (10% deles têm contra 7% delas).

Jeito certo de passar

Mesmo os poucos 30% que usam protetor solar antes de ir à praia e à piscina correm perigo. Pesquisas internacionais já evidenciaram que só três em cada 10 que usam a proteção contra os raios ultravioleta o fazem de maneira correta. Os moradores do Sul do País, por exemplo, estão entre os que mais usam os cremes protetores, mas o dermatologista do Hospital A.C Camargo, Alexandre Leon, avalia que eles também correm risco.

“As pessoas de pele muito branca começaram a se expor ao sol por acharem que a proteção do filtro barra os riscos”, afirma Leon. “Mas como passam de maneira errada ou insuficiente, isso fez com que os casos de câncer de pele só subissem”, avalia.

Anualmente, avalia a American Cancer Society , há um incremento de 10% nos casos de câncer de pele. Nesta estatística estão não apenas os muito branquinhos que passam protetor errado, mas também os negros que acreditam ser imunes à doença grave de pele. O levantamento da Sociedade de Dermatologia evidenciou que só 16,12% das pessoas negras usam a proteção. Apesar de mais raros, entre eles, os casos mais frequentes são na palma da mão e sola do pé, informa o Inca.

Branco ou negro, não dá para esquecer de passar filtro solar (ao menos uma xícara de café), 30 minutos antes da exposição solar e repassar a cada duas horas. O fator protetor mínimo é o 15, defendem os dermatologistas. Agora, temporada de frio, não esqueça do rosto e mãos. Novas pesquisas já mostraram que o câncer de pele dobra o risco de outros cânceres.

As marcas do biquíni e do maiô vão embora. O câncer, nem sempre.

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