Dados obtidos até agora ainda não confirmam a relação entre próteses e câncer, mas porcentual de ruptura é alto

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A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês) recomendou, em nota oficial, que todos os implantes mamários de silicone PIP sejam trocados imediatamente para evitar riscos futuros à saúde, mesmo que não haja nenhum sinal clínico de ruptura.

No mês passado, o governo francês afirmou que pagaria os custos da remoção dos implantes feitos pela Poly Implant Prothèse (PIP) em todas as mulheres do país que os utilizam. A decisão se baseou em dados que apontam um risco maior de rompimento do produto e o uso de silicone não homologado.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), José Horácio Aboudib, discorda da decisão da sociedade internacional. “Não é sensato. Todas as mulheres devem procurar seus médicos para saber se há ruptura e, nesse caso, efetuar a remoção e a troca”, afirma. “Caso a prótese esteja em bom estado, basta realizar exames periódicos para garantir que ela não se rompeu.”

Aboudib aponta que o gel da prótese pode ser de um tipo não homologado - ou seja, não aprovado para uso médico -, contudo o revestimento é constituído por uma substância segura, similar à de outros implantes, o que diminui o risco de problemas.

Planejamento

O presidente eleito da Isaps, Carlos Uebel, diz que não é preciso que haja uma “correria” para a retirada. “De qualquer forma, as mulheres devem trocar a prótese no prazo mais breve possível”, afirma Uebel, cirurgião em Porto Alegre. “Não há motivo para pânico, mas convém programar a substituição”, reforça.

Ele sublinha que os dados obtidos até agora não confirmam a relação com o câncer. “Mesmo assim, o porcentual de rupturas das próteses PIP é muito alto”, pondera Uebel. Segundo a nota da Isaps, “a taxa de ruptura desses implantes parece ser cinco vezes mais alta quando comparados com outros implantes”.

O mastologista José Luiz Pedrini, vice-presidente nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia, diz que a entidade ainda não chegou a um consenso sobre o assunto - que será discutido em reunião com o governo brasileiro na próxima semana.

Entretanto, ele diz que indicaria pessoalmente a retirada dessas próteses para evitar riscos futuros à saúde. “É muito mais barato o custo de trocar essa prótese agora que o de um tratamento para câncer ou outra infecção que esse silicone industrial pode causar”, diz.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que mantém a mesma orientação: mulheres com essas próteses devem procurar seus médicos para uma avaliação.

O Ministério da Saúde também mantém essa orientação e diz que avaliará caso a caso. E informou que a posição sobre o assunto será discutida na próxima semana, quando representantes das sociedades médicas de mastologia e de cirurgia plástica se reunirão com o ministério e com a Anvisa para debater um protocolo que definirá a maneira de agir em caso de rompimento dessas próteses.

Procurado , John Arnstein, da EMI Importação e Representação, empresa responsável pela distribuição do produto no Brasil, disse que preferia não comentar a declaração da Isaps, pois não tinha tomado conhecimento oficial da nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

*Alexandre Gonçalves e Fernanda Bassette

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