Diferentemente do que muitas acreditam, a prótese de silicone não altera a possibilidade de detectar o câncer de mama

Prótese mamária: mulheres ficam mais cuidadosas
no auto-exame
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Prótese mamária: mulheres ficam mais cuidadosas no auto-exame
Atualmente, muitas pessoas adotam medidas cirúrgicas para modificar e embelezar alguns aspectos do corpo e, para as mulheres, os seios são alguns dos alvos mais atingidos pela força da estética. Mais de dois milhões de mulheres em todo o mundo já realizaram a cirurgia de prótese de mama, sendo 20% com finalidade de reconstrução pós-operatória, mas ainda há uma dúvida que permanece no ar: a colocação da prótese pode levar ao câncer de mama, ou mesmo mascarar o diagnóstico da doença?

O mês mundial da luta contra o câncer de mama coloca em foco a importância do diagnóstico precoce da doença. Mas os números ainda são exorbitantes: no Brasil, há uma incidência de 51 mil casos a cada 100 mil mulheres, o que indica a necessidade de maior conscientização. Maria Helena Louveira, médica radiologista da DASA, empresa de medicina diagnóstica da América Latina, conta que não há relação confirmada entre a doença e a prótese mamária. “A prótese pode apenas prejudicar o exame diagnóstico deste tipo de câncer, mas não impede que ele seja detectado”, afirma.

Segundo Maria Helena, já existem técnicas especiais para a realização da mamografia que não comprometem o diagnóstico, mesmo de mulheres que aumentaram os seios por meio do procedimento cirúrgico. No entanto, ela recomenda que, no momento de marcar a cirurgia para colocação de prótese, a mulher converse com o especialista para se assegurar de que futuros exames não serão prejudicados pela técnica que será usada para colocada a prótese. E isto vale para todas – “principalmente para mulheres que possuem casos de câncer na família, em especial mãe, filha ou irmã”, diz.

Mais cuidado
Indiretamente, a prótese mamária pode até colaborar para que o câncer seja detectado em estágio inicial. Segundo a médica, mulheres que já realizaram a cirurgia plástica tendem a ser mais cuidadosas com o auto-exame.

A realização anual da mamografia – e, em caso de suspeitas de complicação, a ressonância mamária – são recomendadas para mulheres com mais de 40 anos que não possuem histórico do surgimento de câncer na família.

Caso uma mulher que tenha prótese seja diagnosticada com a doença, o tratamento é o mesmo: retirada do nódulo, que pode seguida de rádio e quimioterapia. “A única diferença é que, nesta cirurgia, também deverá ser feita a retirada da prótese, já que há um risco dela estourar e causar o vazamento de silicone nas mamas”, ressalta a médica. É indicado que a prótese seja trocada a cada dez anos.

Segundo tipo de câncer mais frequente no mundo, o câncer de mama tem como principal sinal o nódulo endurecido e indolor na mama, que na maioria das vezes é descoberto pela própria paciente. Dor, secreção mamilar, erosão, retração da pele, prurido, vermelhidão e massa axilar também são sintomas, mas menos habituais.

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