O gel utilizado pela empresa não era autorizado para fins médicos. O implante foi proibido na França e também no Brasil

Implante de silicone tradicional
AP
Implante de silicone tradicional
Uma prótese mamária de silicone proibida pelas autoridades sanitárias da França no ano passado - e que também era exportada para o Brasil - teria causado a morte de uma francesa, segundo uma associação de vítimas do produto.

Esta seria a primeira morte no país causada por implantes mamários de silicone da empresa francesa Poly Implant Prothèse (PIP), exportados para inúmeros países.

No ano passado, Anvisa proibiu venda

Antes de sofrer uma liquidação judicial no ano passado e ser acusada de fraude na fabricação das próteses mamárias, a PIP era a terceira maior fabricante mundial do produto.

A Associação de Usuárias das Próteses PIP (PPP, na sigla em francês) informou em um comunicado, na noite de quarta-feira, que a vítima morreu na segunda-feira em razão de um linfoma provocado pelo vazamento do gel da prótese mamária defeituosa.

A francesa, identificada apenas como chamada Edwige, conviveu com a prótese mamária rompida no corpo durante um período, afirma Alexandra Blachère, presidente da associação PPP.

"Temos um certificado médico do oncologista da vítima atestando que a paciente desenvolveu um linfoma após contato com um implante mamário", diz Blachère.

Proibição
A venda e a utilização de próteses mamárias da marca foram proibidas na França em março do ano passado pela Agência de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (Afssaps) após a descoberta de irregularidades na fabricação do produto.

Após investigações, a agência descobriu que o fabricante utilizava nos implantes um gel de silicone diferente do que havia sido declarado às autoridades sanitárias para obter a autorização de comercialização do produto.

O gel de silicone utilizado pela empresa não é autorizado para fins médicos.

O fator que desencadeou as investigações foi a taxa anormal de reações inflamatórias e de rompimento das próteses mamárias da marca PIP, que era quase o dobro da registrada por outros fabricantes do setor.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa) também proibiu em abril do ano passado a venda e utilização das próteses mamárias da PIP no país.

Após o anúncio da primeira morte na França, a agência sanitária do país declarou que este é o "primeiro e único caso de linfoma associado a esse tipo de implante".

Mas segundo a Afssaps, até o momento não é possível afirmar com certeza que o produto causou o falecimento.

"Esse dossiê ainda não foi investigado. Precisamos de tempo para avaliação. Temos de coletar informações complementares", afirma Jean-Claude Ghislain, diretor da Afssaps.

Representantes da associação PPP serão recebidos no dia 14 de dezembro no ministério da Saúde.
A associação pede que o governo crie um "fundo de indenização de emergência" para que as 30 mil mulheres que utilizam próteses mamárias da PIP na França possam ser operadas para retirar os implantes.

No Brasil, estima-se que 35 mil mulheres utilizaram próteses da PIP desde 2005.

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