Substância poderia funcionar em pessoas resistentes à medicação disponível

Ecstasy está sendo usado para tratamentos médicos
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Ecstasy está sendo usado para tratamentos médicos
O transtorno do estresse pós-traumático é uma doença que pode acompanhar por anos as pessoas que sofreram grandes choques psicológicos como estupros ou traumas de guerra. Ela pode se manifestar por meio de intensos ataques de pânico, flashbacks e pesadelos terríveis, um problema que, em geral é difícil de ser tratado.

Um estudo experimental feito nos Estados Unidos, no entanto, mostrou que o uso de doses controladas de metilenodioximetanfetamina (MDMA) – droga consumida ilegalmente com o nome de Ecstasy – pode ajudar no controle dos casos extremos da doença.

A pesquisa, conduzida na Carolina do Norte pelo psiquiatra Michael Mithoefer, e patrocinada pela Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos foi a primeira a ser realizada no país com a aprovação do FDA – agência responsável por legislar sobre alimentos, medicamentos e tratamentos nos Estados Unidos.

No estudo de Mithoefer, 21 pacientes com transtorno de estresse pós-traumático resistente aos medicamentos disponíveis no mercado, foram divididos em dois grupos: um foi medicado com MDMA e psicoterapia e outro recebeu um medicamento placebo e psicoterapia. Todos os voluntários desenvolveram o problema em função de experiências traumáticas decorrentes de crimes – especialmente estupros – ou guerras.

Ao término da pesquisa, apenas 15% dos tratados com MDMA seguiu tendo as manifestações do transtorno. Entre os tratados com placebo, 85% seguiram com o problema. “O próximo passo é descobrir se os mesmos resultados podem ser replicados em outros centros de pesquisa”, diz Mithoefer.

Embora tenha sido o primeiro aprovado pelo FDA, o estudo de Mithoefer não é o primeiro a avaliar o emprego do Ecstasy como tratamento médico: Suíça e Israel têm pesquisas em andamento na área. Além destes, outros potenciais tratamentos para o transtorno estão sendo estudados. Pesquisadores da Escola de Medicina do Mount Sinai, de Nova York estudam um composto chamado RU38486 para apagar lembranças traumáticas em ratos sem afetar a memória normal.

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