Problema predomina entre grávidas, mulheres com excesso de peso e usuárias de reposição hormonal

A cólica biliar é uma dor constante, que aparece no lado direito do abdome, quase sempre acompanhada de náuseas
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A cólica biliar é uma dor constante, que aparece no lado direito do abdome, quase sempre acompanhada de náuseas
É capaz de você só lembrar que tem vesícula se ela der problema. Trata-se de uma espécie de bolsa verde-escura, com cerca de oito centímetros, localizada na borda inferior do fígado, ao lado direito do abdome. Ela fica conectada ao fígado e ao duodeno através do trato biliar. Sua função é armazenar a bile, antes desse líquido atuar no processo digestivo dos alimentos (principalmente das gorduras), trabalho feito pelo intestino.

A bile contém várias substâncias, entre as quais colesterol e pigmentos. Quando algumas dessas substâncias aumentam em quantidade, podem se depositar na vesícula. Com o passar do tempo, estes depósitos se unem e formam as pedras (cálculos).

O cálculos estão presentes em cerca de 10% a 20% da população adulta, entre 35 e 65 anos, mas são três vezes mais comuns em mulheres do que em homens.

“Existem vários fatores relacionados ao risco de apresentar pedras na vesícula como idade (a frequência aumenta com o processo de envelhecimento ), gravidez , obesidade , terapia de reposição hormonal e níveis altos de triglicérides no sangue ”, explica o médico Vladimir Schraibman, especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e único orientador de cirurgias robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

Sem sintomas

Os cálculos de colesterol geralmente são prevalentes em populações com alto grau de ingestão de gorduras de origem animal (carne vermelha, leite e derivados, embutidos), frituras e alimentos gordurosos em geral . Já os pigmentados são oriundos de sais biliares, outra substância presente na composição da bile e que, em concentração inadequada, pode gerar a formação de pedras.

Uma pessoa pode ter pedra na vesícula biliar e nem desconfiar, pois o problema não apresenta sintomas. Muitas vezes, a descoberta se dá durante exames de rotina, por meio de um ultrassom do abdome.

Os sintomas surgem principalmente quando o cálculo migra para o canal que conduz a bile e provoca a inflamação da vesícula (colecistite aguda) ou quando ocorre uma infecção grave dos canais que levam a bile para o intestino (colangite).

“A cólica biliar é um tipo de dor constante, na região direita do abdome, quase sempre acompanhada de náuseas”, esclarece o médico Vladimir Schraibman. A pessoa pode ainda relatar dores no ombro direito ou nas costas. Em casos sem complicações, o desconforto dura até uma hora.

Prevenção e tratamento

A melhor maneira de prevenir o problema é adotar hábitos saudáveis, por meio de uma dieta com baixo índice de gorduras e alto teor de fibras, prática de atividade física e não tabagismo .

Agora, diante do diagnóstico de pedra na vesícula, deve-se avaliar a melhor opção de tratamento. Ele pode ser feito com o uso de medicamentos ou com cirurgia para a retirada da vesícula (colecistectomia).

“A cirurgia laparoscópica para remoção da vesícula é o melhor tratamento. É muito segura e tem baixíssimos índices de complicações. Atualmente podemos associar à técnica do single port, ou seja, a retirada da vesícula com apenas uma incisão de cerca de 2,5 cm e alta hospitalar no mesmo dia da cirurgia, com ótimos resultados”, explica o cirurgião Vladimir Schraibman. Segundo o especialista, a retirada da vesícula não afeta o funcionamento do fígado ou do intestino.

“Evolutivamente, hoje o ser humano não necessita da vesícula, pois se alimenta diversas vezes ao dia, o que a torna um órgão subutilizado, já que não há necessidade de se armazenar tanta bile. Alguns pacientes, no entanto, podem apresentar um aumento no número de evacuações no primeiro mês”, diz.

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