Doença pode ser causada pela ingestão excessiva de alimentos gordurosos

Fortes cólicas podem indicar cálculo na vesícula
Thinkstock/Getty Images
Fortes cólicas podem indicar cálculo na vesícula
Uma cólica intensa no lado direto do abdome pode indicar a presença de cálculos na vesícula biliar da mulher. É raro a dor ser de baixa intensidade, mas se isso acontecer, o problema pode até ser confundido com cólica menstrual.

As pedras na vesícula atingem cerca de 10% da população brasileira, são duas vezes mais frequentes em mulheres e motivam inúmeras visitas aos consultórios médicos.

“O cálculo acontece por uma combinação de fatores, como questões hormonais e alimentação rica em gordura”, explica Marcelo Averbach, presidente da comissão científica da SOBED (Sociedade Brasileira do Aparelho Digestivo).

Para o diagnóstico, um dos primeiros passos é uma avaliação clínica. Os médicos verificam se a paciente se enquadra no perfil “4F”: mulher, fértil, com idade a partir de 40 anos e acima do peso (do inglês, female, fertile, fourty and fat).

O estrógeno, hormônio feminino, age nas substâncias que se precipitam, especialmente o colesterol, favorecendo a formação dos cálculos.

“É como um copo que tem tanto açúcar que ele não se dilui mais no líquido e acumula no fundo do recipiente”, compara o especialista.

Além disso, o médico explica que o hormônio feminino favorece o relaxamento da vesícula biliar, o que também favorece a sedimentação dos sais e do colesterol.

As mulheres que sofrem de úlcera são mais propensas a formar cálculos biliares, assim como pacientes que tenham passado por cirurgias gástricas.

Anatomia da doença

A vesícula biliar é um pequeno órgão, em forma de pêra, ligado ao fígado. Ela tem a função de acumular líquido biliar, importante para o processo digestivo. Este líquido é formado pela solução de diferentes substâncias, como colesterol e sais biliares. Quando um cálculo se forma no interior do órgão, ele pode permanecer lá por anos e anos, totalmente assintomático.

“A pessoa só descobre por acidente, quando faz algum exame de rotina. Ou nunca descobre”, revela Ana Botler Wilheim, especialista em endoscopia digestiva e palestrante da IX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo, evento que acontece entre 20 e 25 de novembro, em Florianópolis.

Mas a pedra pode não ficar ali inócua. Existe o risco dela desencadear diversos problemas agudos como repetidas inflamações na vesícula ou icterícia, gerada pela obstrução de canais hepáticos.

A vesícula pode inflamar pela obstrução de seu canal, situação que obriga a bílis a ser reabsorvida pelas paredes do órgão. Contudo, o processo faz a vesícula inflar e causa dores fortíssimas no lado direto do abdome. Muitos pacientes relatam essa dor como a sensação de agulhadas.

Existe ainda outra complicação, menos intensa porém frequente e incômoda. São as pequenas contrações do órgão provocadas pela ingestão excessiva de alimentos gordurosos. Essa contração pode causar mal-estar, dor de cabeça e enjoos. Há risco ainda de fazer a pedra migrar para as saídas do órgão, provocando os sintomas mais intensos.

Dilema

Se a paciente tem complicações agudas e sofre com os sintomas, a cirurgia é indiscutível. Mas a situação muda quando o cálculo é assintomático. “Existem estudos conflitantes a este respeito”, afirma Averbach.

“Pessoalmente, acho que paciente jovem, com baixo risco cirúrgico, mesmo sem sintomas, deve ser operado para evitar as complicações de um quadro agudo”, defende o médico. Mas ele reconhece que outros estudos sugerem apenas o acompanhamento.

A cirurgia já foi tida como um procedimento complexo e com certo risco. O corte era grande e obrigava o paciente a permanecer internado por pelo menos cinco dias. “Hoje, o procedimento é feito por laparoscopia”, conta. Isso permite receber alta em 24 horas, sendo que a recuperação costuma ser tranquila.

Se a pessoa realmente se recusar a ser operada, é preciso adotar uma dieta com baixa ingestão de calorias para contrações na vesícula. Essas contrações podem fazer a pedra se descolar e provocar sintomas dolorosos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.