Quanto mais estressadas, maior o risco de problemas cardiovasculares

Elas acham a casa um local mais estressante do que o trabalho
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Elas acham a casa um local mais estressante do que o trabalho
Trabalho, marido, estudos, filhos e dinheiro. Essas variáveis decorrentes da jornada dupla da mulher moderna têm aumentado o índice de estresse. O surpreendente é que elas apontam a própria casa como o local onde passam por um estresse maior do que no trabalho ou em situações sociais, como no trânsito, por exemplo.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, dia 18, pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 28,34% das entrevistadas disseram sofrer estresse intenso ou exagerado dentro de casa. O levantamento foi realizado com base nos dados recolhidos em um mutirão de avaliação de risco cardiovascular, em 2009, em parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Os motivos mais apontados para tamanho comprometimento do bem-estar feminino dentro de casa foram: morte de familiar, perda de emprego, separação conjugal ou ruína financeira. “O estresse financeiro intenso ou exagerado foi apontado por 24,45% das pessoas”, afirmou o cardiologista Ari Timerman, coordenador do Mutirão e diretor do serviço hospitalar do Instituto Dante Pazzanese. “O trânsito, por exemplo, e o chefe no trabalho são dois fatores menos estressante do que os familiares”, avaliou o médico.

Considerando os números gerais, a situação não é diferente. Das 100 mil pessoas entrevistadas em São Paulo e Campinas (interior do Estado), 23% afirmaram sofrer com o problema em casa contra 15,14% no trabalho.

Risco cardíaco

O estresse está entre os principais fatores que podem aumentar as chances de um problema cardíaco, ao lado da hipertensão, da obesidade, do tabagismo e do sedentarismo. “O estresse é um fator de risco como todos os outros. O grau de dificuldade, nesse caso, é grande porque não há um exame que mensure o estresse, além dele ser uma situação subjetiva”, avalia o cardiologista César Jardim, coordenador do clinic check-up do Hospital do Coração, em São Paulo.

Todas essas variáveis agrupadas têm mudado a cara das doenças do coração: consideradas problemas masculinos, hoje as maiores afetadas são as mulheres. O número de mulheres com hipertensão, por exemplo, é de 27,2%, enquanto a parcela masculina é de 21,2%, segundo dados divulgados em maio pelo Ministério da Saúde .

As mulheres enfrentam problemas semelhantes aos dos homens - como obesidade, influência genética, sedentarismo - mas pesquisas indicam que problemas cardíacos são mais perigosos nelas porque elas se alimentam pior e fazem menos exercícios.

“No caso das mulheres, elas têm uma jornada maior, quase tripla, porque trabalham, fazem curso e cuidam da casa. Esses dados são resultados dessa modificação, elas automaticamente tem menor tempo para comer uma comida saudável, fumam mais o que eles e ainda têm o estresse”, avalia Jardim.

E os problemas não param por aí. O infarto, por exemplo, é 50% mais fulminante na população feminina . Enquanto entre elas a taxa de mortalidade é de 17,95 casos para cada 100 pessoas internadas, entre eles, esse número cai para 11,89 casos.

Mudança de quadro

Apesar de a tendência ser de elevação, é possível interferir nos principais fatores que podem aumentar as chances de problemas cardíacos, seja com medidas práticas – como o exercício físico no caso da obesidade – ou com medicamentos – como no caso da hipertensão. Até mesmo no estresse. “Um relaxamento, alguma atividade física, algo que seja como uma válvula de escape. Também é preciso identificar o fator estressante e combatê-lo”, aconselha Jardim.

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