Análise de dados mundiais mostrou que apenas 16% prefere cesárea a parto normal

Gravidez: maioria deseja parto normal em vez de cesariana
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Gravidez: maioria deseja parto normal em vez de cesariana
O número de cesarianas vem aumentando em um ritmo constante nos países desenvolvidos nos últimos 30 anos. Entretanto, uma nova análise de dados de pesquisas envolvendo quase 20.000 mulheres em todo o mundo sugere que a opção por esse tipo de parto não ocorre por solicitação delas: apenas 16% das mulheres participantes da revisão da pesquisa disseram preferir o parto cesariano ao vaginal.

Essa foi a constatação da médica Agustina Mazzoni, do Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária de Buenos Aires, e de sua equipe. Esta foi a primeira meta-análise a avaliar as preferências das mulheres, ressaltaram Mazzoni e sua equipe na revista do Royal College of Obstetrician and Gynecologists (BJOG). Os pesquisadores analisaram literatura médica e identificaram 38 estudos – incluindo 19.403 mulheres originárias das Américas, Ásia, Europa, África e Austrália.

Um aumento no número de cesarianas, principalmente nos países de poder aquisitivo médio e alto, é frequentemente atribuído à solicitação das mulheres pelo procedimento. Nos Estados Unidos, por exemplo, aproximadamente 4,5% dos partos realizados em 1965 foram cesarianas, enquanto que em 2007 este número foi de 32,9%, segundo dados do Centro de Controle de e Prevenção de Doenças daquele país.

Entretanto, os pesquisadores descobriram que um número consideravelmente menor de mulheres disse preferir o parto por cesariana. No total, 15,6% das participantes da meta-análise disseram preferir a cesariana ao parto vaginal. Aproximadamente um quarto das latino-americanas disse ter escolhido a cesariana, comparado a aproximadamente 17% das norte-americanas. Aproximadamente 22% das mulheres de países de renda média disseram preferir cesarianas, comparados aos 12% das mulheres de países de alto poder aquisitivo.

Dentre as mulheres que já tiveram partos por cesariana, 29% disseram preferir ter o próximo parto da mesma forma, comparados aos 10% das mulheres que nunca tinham realizado uma cesariana. Mães de muitos filhos também apresentaram maior probabilidade de preferir a cesariana em relação às mulheres na primeira gestação (17,5% contra 10%).

Como o estudo analisou as preferências das mulheres, e não o fato delas terem ou não solicitado o parto por cesariana na ocasião, os índices reais de cesarianas resultantes das solicitações das mães não pode ser inferido a partir dos dados, escreveram Mazzoni e sua equipe.

Entretanto, os pesquisadores complementaram que “embora os partos por cesariana sob demanda sejam apontados como fator relevante do crescente número de partos deste tipo, parece improvável que isto explique os altos índices de cesarianas realizados em alguns países e regiões”, complementou a equipe.

Os pesquisadores apontam que na América Latina, “onde a maioria das mulheres prefere o parto vaginal, e também onde a maioria delas não tem autonomia para decidir o tipo de parto, aproximadamente 29% dos partos são cesáreos”.

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