Doença pode aparecer em mulheres que usam remédio para coibir a rejeição do novo órgao, revela estudo

Ingestão de remédios contínuos pode levar à osteoporose
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Ingestão de remédios contínuos pode levar à osteoporose
Um estudo realizado com 23 mulheres que receberam transplante de fígado no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, revelou que a ingestão de medicamentos imunossupressores – cuja função é impedir a rejeição do novo órgão pelo corpo – ocasiona uma significativa diminuição de massa óssea, principalmente em mulheres que estão na menopausa.

Após enfrentar uma cirurgia de risco, as transplantadas hepáticas podem apresentar quadro de osteoporose, revela o ginecologista Luiz Francisco Cintra Baccaro, coordenador da pesquisa. O resultado, segundo o especialista, é um alerta: muitas vezes as pacientes são doentes crônicas e graves. A análise mostra que as complicações mais urgentes do transplante mascaram a doença.

“Se não prestarmos atenção e não fizermos um diagnóstico completo e rotineiro, essas pacientes sobrevivem à doença hepática, mas podem ter comprometimento da coluna, ou podem sofrer fraturas graves”, endossa o ginecologista.

Na pesquisa, o médico analisou 23 mulheres, acima de 35 anos, que receberam transplante de fígado. Dessas, sete estavam na pré-menopausa e 16 no climatério – período que antecede o término da vida reprodutiva feminina. Dentre todas as mulheres, mais da metade, 56,5% apresentaram massa óssea alterada, sendo 21,7 % com osteoporose na fase inicial.

O recorte mais severo da doença (81,2%) foi reconhecido no grupo de pacientes com menopausa avançada. Baccaro explica que essa fase na vida feminina provoca perda natural de massa óssea. No caso das transplantadas hepáticas, a doença foi ainda mais acentuada, e os ricos, bem maiores.

“Em mulheres transplantadas jovens, os riscos são menores e a chance de comabter a doença é elevada. Quando a menopausa e o transplante acentuam a perda de massa óssea, o quadro é irreversível, mas se tratado, pode ser controlado.”

Na visão de Baccaro, a pesquisa faz o alerta para o dignóstico precoce. A doença é facilmente tratável. Todas as pacientes recebem medicação específica para combater o problema, uma vez por semana, durante os dois primeiros anos após o transplante.

Atividade física também funciona como remédio. Quando a doença ainda está em fase inicial, o exercício resistido (musculação) estimula a formação de massa óssea.

Organismo blindado

Aos 40 anos, Cátia Helena passou por um transplante de fígado. Após inúmeras consultas médicas, a funcionária pública descobriu que tinha cirrose biliar hepática, uma doença autoimune que rejeita o próprio órgão.

Com a precária absorção de nutrientes, uma vez que o órgão estava inutilizado, e após sofrer duas fraturas nos pés, o diagnóstico da osteoporose também foi comprovado. Cátia foi uma das 23 mulheres analisadas por Baccaro durante o estudo. Após o transplante, a doença foi agravada pelo uso de imunossupressores, remédio fundamental para evitar a rejeição do novo fígado.

Durante um ano de acompanhamento médico, ao coquetel de medicamentos diários, foi acrescentado um comprimido para estabilizar a osteoporose. Hoje, as lesões na coluna e na bacia estão controladas, e a doença, estagnada.

“Não sabia dos riscos, não tinha ideia de que a osteoporose poderia me comprometer. Sou jovem, tenho uma alimentação regular. Sempre pensei que a osteoporose era doença da terceira idade. Hoje, apesar do excesso de remédios, sei que estou com o organismo blindado, sem riscos de fratura.”

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