Uso contínuo de contraceptivos não acarreta danos à fertilidade e nem ao organismo

Pílula: emendar a cartela de forma orientada não faz mal à saúde feminina
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Pílula: emendar a cartela de forma orientada não faz mal à saúde feminina
Emendar uma cartela de anticoncepcional na outra ou recorrer aos contraceptivos que evitam o sangramento mensal são alternativas que ainda assustam parte das mulheres.

O principal receio, afirmam elas, é o comprometimento da fertilidade futura e também a possibilidade do uso acarretar danos ao organismo.

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Mas a alternativa “menstruação zero” é segura, explica Rogério Bonassi, presidente da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia (Febrasgo).

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Segundo ele, para aquelas pacientes que enfrentam sintomas desagradáveis como TPM intensa ou são portadoras de doenças crônicas, como o diabetes, as chamadas pílulas de uso contínuo – sem pausa para o ciclo menstrual – são as mais indicadas.

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Em entrevista ao Delas , Bonassi explica que somente o médico pode definir, junto com a mulher, o anticoncepcional mais adequado. É o especialista quem define se ela é enquadrada entre as que podem se beneficiar da cessação da menstruação por longos períodos.

Delas: Ficar sem menstruar por longos períodos, por vezes até anos, é uma opção segura?
Rogério Bonassi
: Sim, é uma das opções de contraceptivos para a mulher. Existem pílulas no mercado, inclusive, feitas com composição hormonal diferenciada, de progestagênio, que são voltadas para evitar o sangramento mensal, sem danos à mulher. A alternativa de emendar uma cartela na outra, sem o tempo de parada para o ciclo, também é válida. O mesmo vale para os anéis vaginais e para as injeções de anticoncepcionais.

Delas: Estas pílulas que evitam a menstruação têm alguma contraindicação?
Rogério Bonassi
: Não há ressalvas e, inclusive, as pílulas de progestagênio são indicadas para um grupo específico de mulheres. Aquelas que já têm algum risco cardiovascular , são fumantes e têm mais de 35 anos, têm diabetes ou hipertensão em situação de descontrole são mais indicadas como usuárias deste tipo de contraceptivo. Isso porque elas convivem com problemas de saúde agravados pelos hormônios e isso deve ser considerado na hora de escolher qual método usar. Mas só quem pode definir isso é o médico da mulher, em uma escolha individual e partilhada. A paciente que não deseja mais menstruar deve comunicar isso ao especialista e, junto com ele, buscar a opção mais segura.

Delas: Algumas mulheres temem não menstruar por medo disso comprometer a fertilidade no momento em que ela decidir engravidar
Bonassi
: Não existe hoje uma só evidência de que o uso de pílula, mesmo que contínuo, comprometa a fertilidade feminina. A literatura mostra que, em geral, as usuárias de pílula, quando cessam o uso, engravidam entre 4 e 5 meses após a parada, podendo ser antes ou depois disso. Entre quem usa o método injetável este período de espera salta para a média de 9 meses, mas também com muita variação. O que existe é que muitas mulheres convivem com algumas alterações que comprometem a gravidez sem nem saber disso, como é o caso da endometriose ou o da síndrome do ovário policístico . E é este problema de saúde o responsável pela dificuldade de gestação e não o contraceptivo.

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Delas: Outro argumento é que menstruar é um mecanismo para limpar o corpo da mulher. Isso procede?
Bonassi:
É um mito. Menstruar não é um mecanismo de expelir impurezas. Não tem base científica nenhuma nesta informação. A menstruação só mostra que a mulher está preparada para engravidar, nada mais que isso. Por este motivo, não há prejuízo caso ela não queira sangrar mensalmente.

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