A biometeorologia estuda relação entre o clima e as doenças

O clima é importante e afeta a saúde, mas temos de saber o quanto isso tem acelerado os processos.
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O clima é importante e afeta a saúde, mas temos de saber o quanto isso tem acelerado os processos.
Uma mudança brusca de temperatura pode desencadear uma crise hipertensiva em quem já tem a doença. A baixa na temperatura de um dia para o outro pode causar um ataque de asma.

Cruzar dados das alterações do clima com o aumento ou a diminuição de casos de diversas doenças é função da biometeorologia, ciência que estuda como as mudanças no tempo podem influenciar a saúde dos seres vivos – em especial dos humanos.

Em Cuba, o meteorologista Luís Bartolomé Lecha Estela, do Centro de Estudos e Serviços Ambientais (Cesam) da Universidade Central Maria Abreu de las Villas, coordena a equipe do Pronbiomet , um serviço de prognósticos biometeorológicos pela internet. O site emite alertas baseados nas previsões meteorológicas e no cruzamento anterior de dados de saúde.

No fim do verão, por exemplo, há um pico de problemas renais em Cuba. A explicação dada por médicos que trabalham na equipe do Cesam é de que com o calor intenso da ilha a população sua mais. No fim das altas temperaturas, como as pessoas suam menos, o rim precisa trabalhar mais e acaba adoecendo. Sempre que uma frente fria está chegando, o aviso dispara.

Os alertas, por enquanto, só valem para população cubana, já que a relação entre o estado do tempo e a saúde humana é complexa, depende da magnitude da mudança do clima e da sensibilidade das pessoas que vivem no local estudado. Criar mecanismos como o cubano é possível, mas cada localidade precisa fazer seu próprio levantamento. No caso do Brasil, por exemplo, a dificuldade é ainda maior pela extensão do território e pelas diferenças climáticas existentes em cada região.

Por aqui os estudos biometeorológicos estão concentrados nos efeitos sobre a agropecuária, mas alguns pesquisadores já se dedicam ao tema da saúde humana. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Biometeorologia, Iran José Oliveira Silva, o País está na fase de registro de dados.

“Não há dúvidas do quanto  que atuam na doença”, afirma.

Falta de dados

Para Lecha Estela, a principal dificuldade hoje está na resistência da comunidade médica em aceitar de maneira mais veemente a influência do tempo na saúde – ou na ausência dela. Além disso, faltam dados concretos e as secretarias de saúde levam muito tempo para tabular levantamentos mais abrangentes.

Na opinião dele, o Brasil deveria incentivar estudos que relacionassem algumas doenças crônicas interessantes como asma, e doenças vasculares. Com uma base de dados mais eficiente, seria possível criar políticas públicas que atendessem melhor aos pacientes.

“Se você sabe que toda vez que a temperatura cai bruscamente o número de hipertensos nos hospitais aumenta, você pode se preparar para essa demanda”.

Em geral, segundo dados do pesquisador, apenas 1% da população sente de maneira mais drástica essas mudanças. Em São Paulo, por exemplo, a capital mais populosa do País, isso representaria um total de 190 mil pessoas procurando por atendimento médico em apenas um dia.

Aviso do corpo

Os efeitos do clima na saúde e no funcionamento do corpo são estudados após as mudanças de temperatura ou pressão. Porém, os pesquisadores não descartam que as modificações possam afetar os seres vivos antes mesmo de chegarem ao local.

Quem não tem na família ou entre os amigos alguém que diz prever o tempo com base em alguns sintomas como dores nas articulações? A brincadeira pode realmente ter um fundo de verdade. “Ainda não existem dados que possam comprovar isso, mas também não sabemos dizer quanto tempo antes o corpo pode sentir as alterações climáticas. Se pode dar sinais posteriores, porque não anteriores?”, questiona o meteorologista.

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