População de cães e gatos cresce de forma acelerada e é preciso atenção para evitar a transmissão de doenças aos donos

Bichos de estimação trazem alegrias, mas é preciso cuidado com as doenças relacionadas aos pets
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Bichos de estimação trazem alegrias, mas é preciso cuidado com as doenças relacionadas aos pets
As visitas da “cegonha” nas casas brasileiras têm trazido bem mais bichos do que bebês. Nos últimos nove anos, a população de cães e gatos cresceu até quatro vezes mais do que a de humanos, mostra cruzamento de dados feito pelo Delas.

 A maior presença dos pets dentro das residências também faz aumentar o risco de doenças transmitidas pelos animais domésticos, problema que não pode ser descartado principalmente por quem encara os bichanos como entes da família.

 Segundo informações da Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Pets (Anfalpet), entre 2000 e 2009, o aumento de cachorros dentro de casa no País foi de 30,6%, saindo de 24,5 milhões para 32 milhões. O impulso numérico de felinos foi ainda mais expressivo, de 10,4 milhões para 16 milhões, 53,4% de crescimento. Já os homens e mulheres tiveram aumento populacional bem mais tímido, de 12,8% nas medições do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passando de 169,7 milhões para 191,5 milhões de habitantes no último balanço.

 As pesquisas, como a realizada pelo Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Seade), mostram ainda que a tendência é de diminuição de filhos por casal – na última década passou de 2,4 filhos para 1,9. Em contrapartida, a quantidade de animais domésticos por família aumenta. Diversos Centros de Controle de Zoonoses municipais (CCZ), como São Paulo, Vitória e Florianópolis, passaram a investir no controle populacional dos animais domésticos para também conseguir mapear o possível aumento de transmissão de doenças passadas de bichos para humanos. Estas três cidades, por exemplo, realizam censos demográficos dos bichos domésticos.

 Um dos motivos para a preocupação com a proliferação de caninos e felinos foi identificado em censo realizado pela Faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), divulgado no final do ano passado. Segundo os pesquisadores apuraram 78,8% dos cães e gatos domésticos não freqüentam o veterinário de maneira sistemática, ou seja, ao menos uma vez por ano. A falta de atenção com a saúde dos bichos, afirmam os especialistas, é uma evidência de negligência com doenças dos humanos, alertam os especialistas.

As principais doenças

“As verminoses e as doenças dermatológicas (sarna e alergias) são os principais problemas que podem chegar até os humanos pelo contágio animal”, alerta o veterinário especializado em vigilância sanitária do Rio de Janeiro, Alberto David Cohen. “Outro fato que merece atenção são os carrapatos. Há 25 anos, quando comecei na profissão, os carrapatos só apareciam nos cachorros quando eles visitavam sítios e fazendas. Hoje, há uma proliferação significativa de carrapatos nas cidades”, afirma.

Rodrigo Gonzales, professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Anhembi Morumbi de São Paulo, confirma o importante aumento de carrapatos nas metrópoles e completa que o problema pode chegar aos humanos se não for controlado. “O carrapato do cão prefere o animal como hospedeiro, mas também pode chegar ao homem. Todos os donos precisam estar atentos porque mesmo animais bem cuidados, que moram em apartamentos podem ser atingidos”, diz o especialista.

Os problemas de saúde que podem ter o carrapato como vetor vão desde apenas uma “coceirinha” como doenças sérias. Uma espécie de carrapato – felizmente não é a que existe em maior número – pode ser a hospedeira da febre maculosa, que provoca febre, diarreias, náuseas, confusão mental e, em casos extremos, a morte. “Vale conversar com o veterinário para estipular a periodicidade de aplicação de produtos para eliminar os vermes e os carrapatos dos animais. Isso deve ser um regra para cães e gatos”, completa Gonzales. Depois de levar os animais para um passeio, penteie os pêlos para conferir se nenhum “animalzinho” pegou carona para invadir as residências.

Cohen ressalta que a vacinação obrigatória previne que os humanos tenham contato com as doenças mais graves, como a raiva. “E a higiene complementa a prevenção, sem esquecer que além do banho, a vermifugação é de extrema importância para conter as diarreias e vômitos tanto nos bichos quanto em seus donos”.

Como se fossem da família

Os especialistas dizem que seguidas todas as orientações sanitárias não há risco mesmo para hábitos como dormir com o cachorro e permitir que ele freqüente ambientes íntimos como quarto e sala, desde que isso seja informado para o veterinário. Assim, médico e proprietário definem juntos qual será o cronograma de banhos, vacinação e aplicação de remédios. “A única restrição é para pacientes que recebem quimioterapia (os chamados imunodeprimidos) e também os soropositivos. Nestes casos, a indicação é evitar o contato tão próximo com cães e gatos”, completa o veterinário. Outra dica muito importante para proteger a sua saúde e a de outras famílias é, quando passear com o cão ou gato, lembrar sempre de recolher as fezes dos bichos. Essa é a forma principal de disseminação de doenças.

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