A pedagoga Tânia Gomez fazia mamografia regularmente. Essa é a receita de sucesso que ela quer disseminar

As imagens que convidam a mulher a realizar o autoexame das mamas, quase em maioria absoluta, exibem um dorso jovem, seios sem o menor sinal da passagem dos anos e associam a juventude à doença que mais mata a população feminina. É justamente a faixa etária com mais de 60 anos, no entanto, a que mais aparece nas incidências de câncer de mama. “A idade avança e elas parecem que desistem de se cuidar”, conta Tânia Gomez, pedagoga gaúcha que, ao vencer um tumor maligno, virou militante da causa.

Ela, sexagenária recentemente, nem pensa em lidar com a possibilidade de suas colegas deixarem a saúde de lado. “Fui salva pelo diagnóstico precoce. A minha luta é reverter os 60% de cânceres de mama só detectados em estágio muito avançado. Isso vale para as jovenzinhas e as mais idosas”, afirma.

Leia alguns trechos da entrevista concedida ao iG.

A senhora consegue descrever a sensação vivida no dia em que descobriu o câncer de mama?
Foi a sensação de fundo do poço, não fugi à regra, mesmo sendo privilegiada. Sou casada com oncologista, fazia mamografia todos os anos. O último exame antes do que identificou o câncer tinha sido feito havia 11 meses. Fui à clínica, às 10h. Às 15h peguei o resultado. Às 17, o meu médico já pensava em marcar a cirurgia. Eu disse: “Hei calma lá. Tenho 52 anos, preciso avisar meus pais, organizar minha vida”. Fui operada sete dias depois. Porque ainda tinha pouco conhecimento sobre o câncer de mama. Se soubesse na época o que sei hoje, teria pedido para ir à mesa de cirurgia no minuto seguinte.

Mesmo com tanta informação, teve medo?
Tive pavor. Digo que sou privilegiada, porque as brasileiras esperam, em média, 188 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento. No meu caso foi uma semana, mas senti muita falta de uma palavra amiga, de esperança. Estava casada com o amor da minha vida havia só três anos. Era o auge da paixão. Tive muito medo de ser abandonada, conheço muitos maridos que fazem as malas quando chega o câncer de mama. Sofri, mas superei. E quando saí da mesa de operação, olhei para o céu e prometi que faria da prevenção do câncer o meu lema de vida.

A auto-estima ficou ferida na época?
Sim, mas tive sorte. Amamentei filhos do primeiro casamento e tinha o sonho de fazer plástica no seio. Como precisei tirar um quarto da mama, aproveitei para fazer a reconstrução e já operar o outro seio. Saí mais bonita do que entrei. Mas a quimioterapia influencia demais na sexualidade. Expliquei isso para o meu marido e ele me deu total força. Ficamos seis meses dormindo “como irmãos”. Ele pegava a minha mão e dizia, “eu sei que vai passar. Te espero”.

A senhora descobriu o câncer aos 52 anos. Passou a fazer palestras e convive de perto com outras mulheres que enfrentaram a mesma doença. O que é comum a todas?
Acho que as pessoas confundem um pouco as coisas. Acreditam que fazer a mamografia todo ano, o autoexame, cuidar da saúde vai prevenir o câncer. Não é isso. Não previne que a doença apareça. Mas possibilita o diagnóstico em um estágio de chance de cura de 95%. Principalmente as mulheres mais velhas, repetem que não fazem mamografia pois “quem procura acha”. É errado demais isso. Cuidar de si tem de ser regra para qualquer idade. Eu tenho 61 anos agora. A receita que me salvou aos 50, me salvaria aos 60 ou 70.

Tânia Gomez é idealizadora do Chaveiro da Vida, projeto premiado de combate ao câncer de mama ( www.chaveirodavida.blogspot.com )

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