Método ajuda a recuperar a capacidade de perceber o corpo e também acalma o doente

A música pode se tornar uma arma importante para combater a perda de memória em portadores da doença de Alzheimer. Uma pesquisa está sendo realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para verificar a eficácia do tratamento.

Com o envelhecimento da população, a incidência do Alzheimer aumentou cerca de cinco vezes em 10 anos e são as mulheres que lideram as estatísticas da doença. Como a enfermidade é progressiva e sem cura, a busca por alternativas de tratamento tem sido um desafio constante da medicina.

Memória musical ajuda a resgatar boas lembranças
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Memória musical ajuda a resgatar boas lembranças
O trabalho na Unifesp é realizado pela musicoterapeuta Cleo França Correia, que realiza sessões semanais com grupos em diferentes estágios da doença.

“A musicoterapia é um estímulo para pensar e ajuda o paciente a se organizar”, afirma.

A relação com a música acontece de forma passiva e ativa nas sessões. Isso significa que o paciente tanto escuta quanto faz música. Mas não é preciso saber ou aprender a tocar um instrumento como um músico profissional.

O paciente vai apenas bater palmas, assoviar ou bater os pés. “É uma forma de recuperar a capacidade de perceber o corpo”, explica.

Com a perda gradual da memória, o portador da doença de Alzheimer perde também a capacidade de realizar tarefas simples do cotidiano. “Essas atividades ajudam a reaprender o que foi esquecido”, diz a musicoterapeuta.

Volta da lucidez

A memória musical de uma pessoa geralmente está associada com imagens e outros tipos de lembranças. “Ao ouvir uma música familiar, o paciente consegue cantá-la e ainda falar sobre lembranças pessoais que, para ele, estão associadas àquela canção”, explica Cleo.

Isso acontece mesmo com pacientes nos estágios mais avançados da doença, quando eles passam a maior parte do tempo distantes da realidade. É como se recuperassem a razão por um breve momento.

“A memória musical serve como disparador de lembranças e faz a pessoa recuperar a coerência”, afirma a musicoterapeuta.

A música, combinada com atividades de desenho e pintura ajuda a melhorar o comportamento do paciente. “Ele fica mais calmo”, afirma a pesquisadora. Para isso, são selecionadas músicas que evoquem emoções positivas e, de preferência, associadas à história musical do paciente.

O momento dedicado à audição deve ter pelo menos oito minutos seguidos. Isso porque esse tempo é tido como referência para o início do efeito terapêutico da música. Antes disso, o impacto é muito pequeno.

A musicoterapia está sendo usada em diversas áreas. Recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás mostrou que esse tipo de tratamento consegue ajudar no combate à hipertensão arterial .

O trabalho foi apresentado no III CIMNAT– Congresso Internacional de Música, Neurociência, Arte e Terapia – realizado pelo Centro de Musicoterapia Benenzon Brasil, em São Paulo.

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