Além da função mecânica, usada nas atividades físicas, a massa muscular fabrica substâncias que combatem doenças como o diabetes

O músculo libera substâncias que combatem a obesidade
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O músculo libera substâncias que combatem a obesidade
Os músculos do corpo são mais do que tecidos com funções mecânicas, necessárias para o desempenho de atividades físicas. Eles também têm propriedades endócrinas e liberam substâncias responsáveis por evitar doenças graves.

Essa descoberta da medicina é recente e ainda continua sendo estudada. O assunto foi discutido no 22º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e Esporte, que terminou no último sábado em Curitiba (PR).

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“É uma mudança de paradigma”, contextualiza o endocrinologista Clayton Luiz Dornelles Macedo, professor da Universidade da Serra Gaúcha. Ele compara essa transformação a recentes descobertas ocorridas com o tecido adiposo – as reservas de gordura do organismo.

“Por muito tempo a acreditou-se que o tecido adiposo não tinha funções endócrinas, mas hoje sabemos que ele produz adipocinas. Elas são importantes para o transporte de substâncias no corpo e realizam diversas funções", diz o médico. Dependendo da sua concentração no organismo as adipocinas promovem processos inflamatórios, diretamente relacionados à síndrome metabólica.

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Mais energia

Os músculos fazem algo parecido. “Eles produzem interleucinas”, revela o médico. Essas substâncias são descritas como “produtoras de fatores para regulação metabólica.” Em outras palavras, é como um hormônio.

“As interleucinas estão ligadas a um processo inflamatório, mas é uma inflamação do bem”, explica o endocrinologista. Elas aumentam o consumo celular de glicose para gerar mais energia ao organismo.

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Ao consumir mais glicose (açúcar), as interleucinas agem como uma espécie de prevenção à síndrome metabólica. “Isso diminui o risco de diabetes e de outros problemas graves, como aterosclerose e o infarto" ressalta Macedo.

Oxida ácidos graxos

Outra função importante da substância está ligada aos ácidos graxos. No processo metabólico de oxidação desses ácidos, a produção de energia é superior à energia produzida a partir do consumo dos carboidratos ingeridos com a alimentação. Isso demonstra que o músculo, ao ser acionado pelo exercício, é responsável por aumentar o metabolismo da pessoa e suprir uma cobrança elevada de energia.

“O músculo fabrica miocinas e proteínas, substâncias responsáveis pela comunicação entre órgãos distantes uns dos outros”, afirma o especialista. “A interleucina é uma miocina do bem”, aponta.

Paradoxo

Apesar do exercício proporcionar benefícios metabólicos, ele também pode trazer alguns prejuízos sérios, e até fatais, à saúde. Depende da intensidade da atividade e também da pessoa que pratica.

“Cerca de 10% dos infartos acontecem durante ou após treinos intensos”, aponta Giuseppe Dioguardi, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese. Exercícios de longa duração ou de alta intensidade, como maratonas, fazem o organismo liberar radicais livres em quantidade elevada. Esses radicais livres provocam alterações no DNA das células, processo que pode culminar em doenças.

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“Para se proteger o núcleo celular, o organismo usa uma proteína”, afirma o cardiologista. O mecanismo funciona, mas não é perfeito. Há risco de acontecer um processo inflamatório no plasma sanguíneo, expondo o esportista à aterosclerose. “Isso mostra que nem sempre a natureza é perfeita em seus mecanismos”, comenta o médico.

Alimentação adequada ao treino e exercícios na dose certa, sob supervisão de especialistas, são a melhor forma de evitar a sobrecarga do organismo. Isso vale também para exercícios anaeróbicos, como a musculação, embora existam menos estudos que relacionem o estresse oxidativo e este tipo de atividade física.

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