Levantamento mostra que elas representam 56% dos voluntários e 88% têm menos de 45 anos

Drica Moraes e seu filho Mateus. A atriz foi diagnosticada com leucemia no ano passado e fez transplante de medula óssea graças a um doador anônimo
Divulgação
Drica Moraes e seu filho Mateus. A atriz foi diagnosticada com leucemia no ano passado e fez transplante de medula óssea graças a um doador anônimo
Levantamento inédito feito pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostra que as mulheres são líderes em doação voluntária de medula óssea, técnica que beneficia especialmente os pacientes com leucemia, um tipo de câncer .

O perfil foi traçado com base nos 2 milhões de doadores cadastros no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

Além de identificar que 56% dos catalogados são do sexo feminino, o mapeamento também revela que 88% deles têm menos de 45 anos.

A idade mais jovem, avalia o Inca, “amplia a permanência dos voluntários no cadastro” e a possibilidade de auxiliar os pacientes que esperam a doação.

A atriz Drica Moraes , por exemplo, teve leucemia diagnosticada no ano passado e o transplante de medula , feito por um doador anônimo cadastrado no Redome, foi o que permitiu o seu tratamento e o caminho para cura. Drica se recupera deste tipo de câncer e já voltou a fazer participações especiais em novelas da Globo.

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Desde que começou a ser gerenciado pelo INCA, há 11 anos, o REDOME teve um aumento de 16.000% no número de cadastrados. Houve um aumento de 240% (2003-2009) no número de transplantes realizados em situações em que o doador não era parente do beneficiado.

“Em 2010, 67% dos transplantes foram realizados com material encontrado no Redome. Dos 167 transplantes de medula óssea não-aparentados (que utilizam doações voluntárias), 87 pacientes contaram com doadores nacionais. Hoje, há cerca de 1.200 pessoas aguardando por um doador compatível”, informou o coordenador do Redome, Luís Fernando Bouzas.

Distribuição desigual

Outro aspecto detectado pelo perfil de doadores a distribuição desigual deles pelo País. Quase metade dos cadastros está concentrada na Região Sudeste (48%), seguida Sul (25%), Nordeste (14%), Centro-Oeste (8%) e Norte (5%).

“O levantamento é importante para sabermos em quais regiões é necessário um reforço nas campanhas, tendo em vista que a diversidade genética da população brasileira é muito vasta”, esclarece Bouzas.

Outras doações

Apesar das mulheres serem maioria entre os doadores de medula, no perfil feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) são os homens que lideram as doações de coração, rim, pulmão, fígado e pâncreas.

A explicação, nestes casos, é que para a doação ser efetivada é preciso o diagnóstico de morte encefálica (quando o cérebro não responde mais, porém os outros órgãos continuam funcionando), situação mais recorrente em casos de violência, como atropelamentos, tiros e quedas. O sexo masculino ainda prevalece nas estatísticas de trauma.

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Já os doadores de medula óssea podem fazer este processo ainda em vida. Todo mundo pode ajudar. Para isso é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e ter boa saúde. Para se cadastrar, o candidato a doador deverá procurar o hemocentro mais próximo de sua casa, onde será agendada uma entrevista para esclarecer dúvidas a respeito das doações e, em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (10 ml) para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador).

Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.

A lista dos hemocentros do Brasil pode ser acessada aqui

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