Resultado surpreende especialistas e pode ser justificado pela propensão feminina a cardiopatias menos graves

Mulheres são mais propensas a problemas cardíacos não isquêmicos
Thinkstock/Getty Images
Mulheres são mais propensas a problemas cardíacos não isquêmicos
Estudo mostra que um novo tratamento para prevenir a insuficiência cardíaca é duas vezes mais eficaz em mulheres.

Segundo a equipe de pesquisa, está é a primeira vez que um tratamento para o coração mostra maiores benefícios para elas.

A descoberta foi “inesperada, mas extremamente importante”, disse Arthur J. Moss, professor de medicina do Centro Médico da Universidade de Rochester e autor do estudo.

Moss e sua equipe observaram a eficácia da terapia de ressincronização cardíaca com desfibrilador (CRT-D) em 1.820 pacientes do Canadá, Europa e Estados Unidos. Este tipo de terapia combina os benefícios do desfribilador cardioversor implantável (CDI) e da terapia de ressincronização cardíaca. O CDI impede a morte relacionada ao ritmo cardíaco irregular, enquanto que a terapia de ressincronização estimula as funções cardíacas, reduzindo o risco de insuficiência cardíaca e de sintomas relacionados.

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A CRT-D é aprovada nos Estados Unidos para o tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca grave e para impedir o avanço do problema daqueles que sofrem de insuficiência cardíaca moderada. O dispositivo da CRT-D foi desenvolvido pela empresa americana Boston Scientific, que participou do estudo.

Dentre as mulheres, a CRT-D levou a uma redução de 70% da insuficiência cardíaca e de 72% do risco de morte. Dentre os homens, o tratamento levou a uma redução de 35% da insuficiência cardíaca. Os dados fazem parte do estudo publicado na edição de 7 de fevereiro do Journal of the American College of Cardiology.

“Não que os homens tenham tido resultados insatisfatórios nos testes, mas os resultados das mulheres foram realmente fantásticos – provavelmente devido ao tipo de doenças cardíacas mais comuns em mulheres”, disse Moss em um release da revista especializada.

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As mulheres participantes do estudo apresentaram maior propensão a desenvolver problemas cardíacos não isquêmicos, condição geralmente caracterizada pela cicatrização inflamatória do músculo cardíaco. Os homens apresentaram maior tendência a desenvolver doenças cardíacas isquêmicas, que ocorrem quando o estreitamento das artérias restringe a circulação sanguínea e o fluxo de oxigênio para o coração.

Além disso, mais mulheres apresentaram bloqueio de ramo esquerdo, condição que leva à atividade elétrica desordenada através do coração. Os autores do estudo explicaram que os dois tipos de doenças cardíacas com maior incidência entre as mulheres têm maior probabilidade de responder à CRT-D

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