Entidades médicas protestam e argumentam que prática aumenta risco de câncer

Alerta: especialistas ressaltam que prática é mais nociva do que expor-se ao sol
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Alerta: especialistas ressaltam que prática é mais nociva do que expor-se ao sol
Proibidas de funcionar desde novembro do ano passado, as câmaras de bronzeamento artificial receberam autorização jurídica para serem novamente ligadas à tomada.

Ontem, o juiz Jurandi Borges Pinheiro, do Tribunal Regional Federal do Rio Grande do Sul, liberou a prática estética em clínicas e salões de beleza, contrariando a recomendação de médicos especializados e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O processo foi movido pela Associação Brasileira de Bronzeamento Artificial (ABBA), que contesta os argumentos utilizados pela Anvisa para a proibição. “Além de ser inconstitucional, a determinação do governo federal é inconsistente”, acredita o advogado da Associação, Eugênio Pallazi. “Faltam informações científicas sobre os males do bronzeamento artificial. Não há nada que ateste que a prática é mais nociva do que o sol, o maior responsável pela emissão de raios ultravioletas” diz Pallazi. Somente entidades filiadas à ABBA podem voltar a oferecer o bronzeamento. O número de locais não foi informado pela entidade.

Protestos

A Anvisa informou que ainda não foi notificada oficialmente pela justiça sobre a decisão – apesar de já garantir que vai recorrer – mas contesta veementemente a informação de que não há comprovação de que as câmaras não são nocivas à saúde. A agência rebate que a própria A Organização Mundial de Saúde (OMS) elegeu o bronzeamento artificial como um dos fatores cancerígenos. Médicos ligados a entidades como Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBM) e Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SBME) endossam o perigo da prática.

Eles se apoiam em pesquisa recente realizada pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IRAC, sigla em inglês) que atestou o perigo dos raios emitidos de forma artificial. Vinte pesquisadores, de nove países, concluíram que a radiação produzida pelas lâmpadas bronzeadoras aumenta em 75% o risco de câncer de pele, quando recebidas por pessoas antes dos 30 anos. O bronzeamento foi então colocado ao lado do tabaco na lista de fatores que aumentam a incidência de melanomas e neoplasias.

“Pelas produções científicas que já possuímos tenho convicção que a decisão judicial em favor do bronzeamento vai ter duração muito curta”, afirmou o diretor da SBME, Valcenir Bedin. “É uma decisão (jurídica) que só se sustenta pelo ponto de vista de mercado e não há como dizer que o bronzeamento artificial é tão nocivo quanto o sol, pelo contrário”.

Segundo Bedin, dentro de uma câmara de bronzeamento a exposição aos raios ultravioletas é mais concentrada, em geral ocorre por um período longo e não há nenhum fator minimamente atenuante como sombra e vento – presentes quando o banho de sol é ao ar livre.

Incidência de câncer

Os especialistas se preocupam com a liberação da prática do bronzeamento porque os índices de câncer de pele estão em ascensão no País. Estima-se que para os que nasceram após 2006, a incidência será de um caso novo em cada 65 pessoas. Em 2010, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) projeta 113.950 casos novos de câncer de pele. As mulheres são as principais vítimas, com 60.440 registros. Já os homens devem somar neste mesmo período 53.440 casos da doença.

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