Diferenças aparecem também para oferta de quimioterapia e radioterapia

A mulher preocupada com câncer de mama e que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentará dificuldade até cinco vezes maior para diagnosticar e tratar a doença quando comparada à paciente que pode contar com a rede privada de saúde.

Autoexame: na luta contra o câncer de mama
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Autoexame: na luta contra o câncer de mama
Pesquisa divulgada hoje pelo IBGE, feita em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que os hospitais particulares têm 66,7% mais mamógrafos do que as unidades gratuitas. Nesta conta, são levados em consideração também os aparelhos disponíveis em clínicas pagas mas que acolhem – em uma determinada cota - pacientes do SUS.

Se a matemática usar apenas as mamografias realizadas aparelhos disponíveis em hospitais exclusivamente públicos, as diferenças são ainda mais gritantes. São 596 mamógrafos neste tipo de unidade contra 3.547 aparelhos na esfera privada, uma média cinco vezes maior.

O câncer de mama é uma das doenças mais letais para o sexo feminino e, segundo as diretrizes do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a forma mais eficaz de reduzir a mortalidade é por meio do diagnostico precoce, feito justamente por meio da mamografia.

Tratamento

As cerca de 49 mil mulheres que todo ano recebem o diagnóstico da doença após passarem pelo mamógrafo também vão enfrentar uma oferta muito menor de tratamento indicado para este tipo de tumor nas unidades públicas. Segundo os números do IBGE- traçados em parceria com o Ministério da Saúde – 406 unidades públicas oferecem quimioterapia em estabelecimentos públicos contra 689 no serviço privado, diferença estatística de 69,7%.

Mesma disparidade é diagnosticada na oferta de radioterapia, 173 em hospitais públicos contra 208 em unidades privadas, sendo que estabelecimentos SUS exclusivos somam apenas 41 locais. Esta, segundo já afirmou a Sociedade Brasileira de Radiologia, é uma das razões para a fila de espera para este tipo de tratamento, muito utilizado no câncer de mama, ter fila de espera superior a 100 mil pessoas.

Aumento

Apesar das diferenças, a pesquisa chamada de Assistência Médico-Sanitária (AMS), afirma que a oferta de mamógrafos, tomógrafos e ultrassom aumentou em todas as regiões do País. Na Região Norte, a oferta de mamógrafos passou de 0,8 por mil habitantes em 2005, para 1,1 em 2009. Nesta região, o crescimento foi de 7%, sendo que em todo Brasil a média geral de aumento foi de 5,3%.

Em quatro anos, cresceu 118,4% a oferta de aparelhos de ressonância magnética

Outros dados

Enquanto a rede privada concentra a maior oferta deste tipo de exame, algumas especialidades são muito mais encontradas no serviço publico mostra a mesma pesquisa do IBGE. O atendimento ambulatorial de ginecologia soma 12.847 unidades públicas contra 7.193 privadas. Em odontologia, são 24.636 locais no SUS frente a 6.374 no sistema particular

A pesquisa foi feita em parceria com o Ministério da Saúde, investigou os estabelecimentos de saúde, públicos e privados, com ou sem internação, em todo o País, por meio de localização geográfica via GPS e questionários eletrônicos preenchidos na internet. O objetivo era traçar o perfil da oferta de serviços de saúde no Brasil. Além da oferta de equipamentos e tipo de especialidade oferecida, foi mapeado o número de leitos e a divisão de médicos no Brasil.

Número de mamógrafos por região
Região Norte: 171
Região Nordeste: 700
Região Centro-Oeste: 335
Região Sudeste: 2.257
Região Sul:  638
iG São Paulo

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