Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde, o vírus lidera as mortes de mulheres entre 15 e 49 anos

Em Bulawayo, no Zimbabue, jovem mulher segura sua bebê - fruto de um estupro que também a tornou soropositiva
Getty Images/John Moore
Em Bulawayo, no Zimbabue, jovem mulher segura sua bebê - fruto de um estupro que também a tornou soropositiva
Embora doenças vasculares ainda caracterizem a principal causa de morte para a maioria das pessoas, para mulheres de 15 a 49 anos, a história muda. De acordo com recente relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), órgão subordinado à Organização das Nações Unidas, o principal culpado pela morte dentro deste grupo atualmente é o vírus HIV.

De 33 milhões de pessoas infectadas pela Aids em 2007, entre adultos e crianças menores de 15 anos, 15,5 milhões eram mulheres, prevalência que aumentou desde o início da década de 90, segundo relatório “Women and Health: today’s evidence, tomorrow’s agenda”. Ainda que o problema esteja em todo o mundo, é em países no sul da África que se situa a maioria das vítimas do vírus. Ali, a média entre mulheres soropositivas grávidas prestes a darem à luz foi superior a 15% entre 2005 e 2006.

Por culpa de uma vulnerabilidade particular das mulheres em serem infectadas pelo vírus, que ocorre por uma combinação de fatores biológicos e desigualdade de gênero, a OMS afirma que a mulher está mais propensa a contrair o HIV do que os homens durante uma relação sexual heterossexual com um parceiro infectado. O risco é ainda maior em culturas que limitam o conhecimento da sociedade feminina e, consequentemente, a possibilidade de fazer sexo seguro, e para mulheres afetadas por estigmas sociais e violência sexual.

Mulheres viciadas em drogas e prostitutas também estão entre o grupo com maior facilidade de serem infectadas, relacionando-as com seringas contaminadas e necessidades econômicas que as levam a tornar o sexo um meio de sustento.

Com o relatório, a OMS pretende chamar a atenção para a situação de saúde das mulheres e melhorar o atendimento médico ao redor do mundo. “É hora de garantir a assistência e o apoio que elas precisam para poderem aproveitar de um direito humano fundamental em todos os momentos de suas vidas: o direito do acesso à saúde”, disse a atual diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em declaração a uma rádio norte-americana.

Em relação ao acesso à terapia anti-retroviral, as mulheres registram vantagens. No final de 2008, enquanto 37% dos homens infectados com o HIV receberam tratamento, 45% das mulheres tiveram a mesma oportunidade. Ainda em 2008, 45% de mulheres soropositivas grávidas tiveram a chance de prevenir a transmissão do vírus ao filho, mais que o quádruplo do grupo de 10% de grávidas que recebeu o tratamento em 2004. No entanto, ainda há muitas barreiras a serem vencidas.

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