Mulheres com a doença devem ter atenção dobrada na gestação, para não passar por crises emocionais

Boca é uma das regiões favoritas do vírus para se manifestar
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Boca é uma das regiões favoritas do vírus para se manifestar
O herpes é uma doença traiçoeira e pode causar muitos inconvenientes quando subestimada. Ela não tem cura e está diretamente ligada ao sistema imunológico. Isso significa que a doença volta a atacar toda vez que as defesas do organismo sofrem algum baque.

Pode ser um leve resfriado, estresse no trabalho, uma briga entre familiares, qualquer coisa que enfraqueça o sistema imunológico dá margem para crises da doença. “O problema se reativa por alterações da imunidade”, explica a médica Lígia Raquel Brito, clínica geral do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, de São Paulo.

Existem outras doenças sem cura que se manifestam de forma parecida, quando o portador está fragilizado. Lúpus e psoríase são alguns exemplos. Mas essas doenças são autoimunes, ou seja, acontecem porque as defesas naturais do organismo se voltam contra alguma parte do próprio corpo, gerando inflamações. Já o herpes é causado por um vírus.

Diferente do que muita gente pensa, esse vírus não é transmitido por qualquer contato com o portador. É preciso que a doença esteja ativa, em momento de crise, para que o vírus possa se propagar.

Os sinais do vírus ativo são bem claros. Surgem bolhas na pele do portador – geralmente próximas aos lábios. Elas incham, coçam e inicialmente são bem dolorosas, uma dor que diminui quando as pequenas bolhas se rompem, liberando uma secreção incolor. Muitos reclamam do aspecto das erupções nesse período e afirmam que elas causam repúdio em outras pessoas.

Quando a doença está manifestada, a pessoa não deve beijar nem falar perto de outros indivíduos, especialmente de crianças. No caso de herpes genital, é recomendado evitar relações sexuais.

Doença esquecida

Na opinião da reumatologista Mariana Schaefers, do Hospital Copa D’or, do Rio de Janeiro, muitas das manifestações do herpes poderiam ser evitadas. Elas acontecem porque, passado um certo período com o problema sob controle, o paciente esquece a doença. “A adesão ao tratamento é um problema sério”, afirma.

A médica explica que alguns pacientes confundem a remissão do herpes com uma cura definitiva. “Esse tipo de engano é comum. O fato do sintoma sumir não significa necessariamente que a doença foi curada, e sim que ela está sob controle”, esclarece.

Gestação

A portadora de herpes deve ter cuidado dobrado para não ter problemas durante a gestação. Os médicos recomendam que a gravidez seja sempre planejada para acontecer no mínimo seis meses após a última manifestação da doença.

Os primeiros três meses da gravidez geralmente são os mais complicados para qualquer mãe, devido aos enjoos. E isso pode desencadear crises. Os médicos lembram que é fundamental estar emocionalmente preparada, caso contrário as crises podem acontecer.

O parto normal deve ser evitado, pois há risco do vírus ser transmitido para a criança. Exposições excessivas ao frio, ao calor ou ao sol também são contraindicadas porque podem desencadear crises de herpes. Estima-se que o vírus do herpes acometa pelo menos 16% da população mundial.

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