Problema é o mais numeroso no ranking das complicações das gestações

O sangramento no início da gravidez afeta três em cada dez mulheres. Apesar de ser uma ocorrência esperada na gestação, o problema, quando acontece, faz acender a luz vermelha entre os especialistas.

Segundo o vice-presidente da Sociedade de Ginecologia de São Paulo (Sogesp), Jarbas Magalhães, o escape de sangue não necessariamente indica que mãe e bebê correm algum risco, mas o monitoramento e alguns dias de repouso são necessários para garantir a segurança da gestação, evitar abortamentos e atestar que outros problemas de saúde não estão associados à gestação, como diabetes e hipertensão .

Em casos mais graves, o sangramento configura hemorragia e a mulher pode ficar anêmica, influenciando na nutrição e no desenvolvimento do feto. Este tipo de problema é o mais numeroso no ranking de complicações na gravidez. Levantamento feito pelo Delas nos números oficiais do Ministério da Previdência Social mostra que diariamente, 65 grávidas são afastadas do trabalho por conta desta causa.

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A hemorragia, inclusive, pontuou na lista das dez doenças que mais afastam as pessoas do trabalho , ficando em 8º lugar, na frente até mesmo do câncer de mama.

“O impacto no serviço é porque o sangramento na gestação, mesmo quando não indica nenhum problema físico, pode desencadear estresse e angústia na mulher. É um dos sinais que mais aflige a grávida e, por vezes, o médico recomenda o afastamento influenciado por estas questões”, avalia Magalhães.

Fatores associados

Pelo menos desde 2008, as hemorragias no início da gravidez são os problemas relacionados ao parto que mais afastam as mulheres de seus locais de trabalho. A média anual de afastamentos é de 26 mil ocorrências.

A opção de deixar a maternidade cada vez para mais tarde é um dos principais fatores associados ao problema. Segundo os dados da Fundação Seade, as mães com mais de 35 anos hoje representam 12% do total de mulheres grávidas, sendo que na década de 90 esta parcela era inferior a 8%.

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A idade materna avançada aumenta o risco da gestação e, nestas casos, as hemorragias são mais frequentes. Outro componente para o aumento da gravidez de risco é a obesidade, tanto que nos Estados Unidos um grupo de especialistas já defende o ganho zero de peso em grávidas com Índice de Massa Corpórea (IMV) acima de 30 .

Além da idade, fumo, álcool e uso de drogas – vilões em qualquer etapa da vida – também elevam o perigo de complicações na gestação.

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