O aumento no número de mães tardias preocupa especialistas

Depois dos 45: riscos para mãe e bebê
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Depois dos 45: riscos para mãe e bebê
Com os crescentes índices de mulheres que deixam para engravidar depois dos 40, tem aumentado também o número de estudos que buscam analisar as consequências da maternidade tardia para a saúde destas mães e de seus bebês.

Para as poucas mulheres que hoje conseguem engravidar depois dos 45 anos, no entanto, os riscos de complicação são ainda maiores, apontam os especialistas.

Por exemplo, essas mulheres são três vezes mais propensas do que as mais jovens de ter diabetes e hipertensão durante a gestação, afirma uma recente pesquisa publicada no periódico Jornal Americano de Ginecologia e Obstetrícia.

Mulheres mais velhas também apresentam taxas mais elevadas de partos prematuros e de placenta prévia, uma condição na qual a placenta bloqueia a abertura para o canal vaginal.

Para entender melhor os riscos envolvidos nas gestações maduras, Yariv Yogev e seus colegas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, analisaram dados de mulheres de diversas idades que tiveram seus bebês em um hospital local da cidade, entre 2000 e 2008. Entre as quase 80 mil grávidas que pariram durante os oito anos analisados, apenas 177 (0,2%) tinham 45 anos ou mais.

A maioria delas teve seus bebês concebidos por fertilização in vitro, usando óvulos de doadoras mais jovens, e 80% tiveram seus filhos por cesariana – mais do que o dobro da média nas mulheres em geral. Comparando as mães mais velhas com as de 44 anos ou menos, os pesquisadores constataram que 17% das primeiras tiveram diabetes durante a gestação, contra apenas 6% das últimas. E mais: 9% das mães mais velhas tiveram pressão alta enquanto estavam grávidas, uma condição que afeta menos de 3% das gestantes em geral. Placenta prévia foi observada em aproximadamente 6% das mães maduras – o equivalente a quase seis vezes a taxa normal em grávidas mais jovens.

A idade mais avançada aparentemente também reduziu o tempo de gestação. Mais de uma em cada cinco mães com 45 anos ou mais tiveram seus bebês com menos de 37 semanas de gestação (uma gravidez normal dura 40 semanas). Comparado com as mais jovens, a taxa é de uma em cada 10 mulheres.

Mulheres mais velhas também foram mais propensas a ter febre e hemorragias severas depois do parto. Em média, elas e seus bebês precisaram ficar mais tempo internados e as crianças acabaram na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com mais frequência do que as nascidas de mães mais jovens. Cerca de 4% dos bebês nascidos das mães mais velhas tiveram problemas metabólicos ao nascer, como baixas taxas de glicose no sangue, contra apenas 2% dos nascidos de mães de todas as idades. Para as mães que tiveram seus filhos com mais de 50 anos os riscos foram ainda mais altos.

Para os pesquisadores, a idade da mulher, por si só, nem sempre é o principal problema. Na medida em que envelhecem, elas desenvolvem doenças e condições que, por vezes, complicam a gravidez.

* Por Alison McCook

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