Ministério da Saúde comprará 23 milhões de doses específicas para este público

A próxima “onda” de gripe A, popularmente chamada de suína, deve chegar ao Brasil em seis meses e as grávidas permanecem como alvo do vírus. Só até novembro deste ano, a doença matou 1.632 pessoas no país, sendo 13% gestantes. E se a epidemia que deixou o mundo em alerta em 2009 tinha no álcool gel sua principal forma de proteção, a versão do vírus projetada para chegar ao Brasil em junho de 2010 terá um inimigo bem mais eficaz: a vacina. 

Gestante norte-americana recebe dose da vacina contra o H1N1
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Gestante norte-americana recebe dose da vacina contra o H1N1
O Ministério da Saúde ainda está em fase de definição dos grupos prioritários para receber as doses gratuitas mas, por terem apresentado maior vulnerabilidade ao H1N1 durante a pandemia deste ano, as futuras mães já figuram entre os selecionados.

Desde que o vírus começou a circular em território brasileiro ­– oficialmente em maio de 2009 ­– morreram 213 grávidas (dados calculados até novembro) o que dá uma média de uma gestante morta por dia. No último dia 14 de dezembro, uma mulher de 28 anos entrou para lista de gestantes vítimas da nova gripe. Perto de completar oito meses de gravidez, ela foi internada em uma maternidade em Santo André, região do ABC paulista, mas não resistiu. Os médicos, às pressas, fizeram uma cesárea e o bebê prematuro passa bem.

As apostas dos especialistas para que esta trágica história não se repita em outros berçários do país durante 2010 estão todas na vacina. “A definição do grupo técnico assessor da Organização Mundial de Saúde é de vacinar gestantes com vacina contra influenza pandêmica sem adjuvante (diferenciada por ter componentes químicos em menor quantidade)”, afirma Eduardo Hage, diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. “A mesma recomendação foi feita em duas reuniões da Organização Panamericana de Saúde (Opas) com todos os países das Américas, em novembro e dezembro”, citando que o parecer foi aprovado em reunião do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, em novembro passado. O IG apurou que foram encomendadas 23 milhões de doses do tipo sem adjuvante da vacina H1N1.

Mães, filhos e doentes crônicos

Além das grávidas, crianças menores de dois anos e portadores de doenças crônicas (cardíacos, doentes de câncer e portadores de HIV) também apresentaram quadros mais graves quando infectados pelo vírus da nova gripe em 2009. A primeira epidemia mostrou ainda que os jovens – entre 20 e 24 anos – acabaram na linha de frente dos primeiros casos de infecção. Isso porque a faixa etária é considerada “globalizada”. Viajando de país em país, a população mais nova acabou como “locomotiva” para a circulação do H1N1. Este grupo, que esteve presente nos anúncios diários de vítimas da doença em 2009, deve prevalecer nas estatísticas de novos casos do próximo ano. E, por isso, tem preferência na vacinação gratuita. “Nas reuniões, foi acertado que os profissionais de saúde e os idosos com doenças crônicas também precisam estar no grupo a ser imunizado”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Imunizações, Vicente Amato Neto.

A rede pública de saúde, informou o Ministério da Saúde, contará com 83 milhões de doses a serem dispensadas em uma mega campanha de vacinação. A data da específica ainda não está definida, mas será provavelmente entre março e abril – para garantir a proteção antes da nova onda de gripe chegar. “Já ficou acertado também que a aplicação de doses não será em massa e, sim, em escalas”, completa Amato.

Além de laboratórios multinacionais, o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, será a unidade estatal responsável por abastecer parte dos postos e unidades de saúde com doses feitas no Brasil. A produção própria começa em agosto de 2010.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado, lembra que apesar do adjetivo “mega”, as 83 milhões de vacinas contra a gripe A serão insuficientes para cobrir todas as pessoas. Por isso, a necessidade de eleição de público prioritário, como acontece com os idosos no caso da vacina contra a gripe comum. Ainda não está definido se as clínicas particulares de vacinação poderão contar com as doses na rede privada, como acontece com os outros tipos de imunização.

A principal vantagem do Brasil ser um país tropical é que a próxima onda de gripe A vem apenas no inverno. Enquanto isso, lembram os especialistas, é possível observar o comportamento do vírus no hemisfério norte, onde já faz frio, novos casos estão sendo registrados e as campanhas de vacinação já começaram. “A experiência na Europa permite que o Brasil faça mudanças de rumo caso haja alguma mudança”, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Isso vale inclusive para a vacinação de grávidas”.

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