Médicos garantem: não há riscos para as mulheres ou para os bebês

Vírus usado na vacina não causa a gripe em quem recebe a imunização
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Vírus usado na vacina não causa a gripe em quem recebe a imunização
No próximo mês todas as mulheres grávidas no Brasil poderão ser vacinadas contra a gripe H1N1. A medida faz parte de campanha do Ministério da Saúde para enfrentar a segunda onda da doença, prevista chegar ao Brasil no período de inverno. A recomendação preocupa e ainda gera dúvidas em algumas gestantes. O maior temor é que a vacina possa prejudicar o bebê.

Apesar de essa ser a primeira vacinação em massa feita em gestantes brasileiras, os médicos garantem que elas não devem deixar de receber a imunização. A medida adotada pelo Ministério da Saúde, na verdade, atende a reivindicações de sociedades médicas de ginecologia e obstetrícia de todo o país. Inicialmente, o MS pretendia vacinar somente as gestantes no segundo e no terceiro trimestre de gestação. Agora, todas terão direito à imunização nos postos da rede pública de saúde.

A ginecologista Maria Luísa Bezerra Menezes ressalta que o vírus manufaturado na vacina que será distribuída nos postos de vacinação está inativado. “Isso significa que ele não tem capacidade infectante, só imunizante”, garante a médica, integrante da Comissão de Doenças Infecto-Contagiosas em Ginecologia e Obstetrícia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A especialista reconhece que toda medicação nova traz preocupações na hora recomendá-las a quem espera um filho. Mas destaca que, em países do hemisfério Norte, onde as imunizações já começaram, não há registros de efeitos colaterais às grávidas ou aos bebês. “O risco de contrair a doença na gestação é que é gravíssimo. Há riscos de problemas pulmonares, necessidade de internação, morte, abortamentos e prematuridade de parto”, diz.

As gestantes fazem parte do grupo de prioritário de vacinação contra a H1N1 por causa dos números registrados no início da pandemia. No ano passado, 39.679 casos graves da doença foram confirmados no Brasil. Até novembro, 1.926 eram gestantes haviam sido contaminadas pelo vírus.

Ricardo Martins, pneumologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ressalta que, até agora, a vacina só não é recomendada a pessoas que têm alergia a ovo ou que já desenvolveram uma doença chamada Síndrome de Guillian-Barre – que desencadeia paralisia motora em parte do corpo, o que pode provocar falta de ar. “Mas esse é um caso muito raro”, reforça o especialista.

Campanha completa

O pneumologista lembra que é impossível prever quais serão os efeitos provocados pela nova onda de H1N1 que se avizinha. Por isso, defende a vacinação como uma importante maneira de enfrentar essa nova fase. Ele lembra que, nos Estados Unidos, a aplicação das vacinas já começou. Os resultados mostram queda significativa no número de casos da doença depois disso. “A vacina é mais um instrumento de fortalecimento da campanha de combate a essa gripe. Mas os cuidados com a higiene não devem ser esquecidos”, destaca.

As orientações reprisadas inúmeras vezes nas propagandas de televisão, repetidas pela imprensa, nos ambiente de trabalho e nas escolas são as mesmas. Quem estiver gripado deve evitar comparecer a ambientes públicos, lavar as mãos com frequência (especialmente ao tossir ou espirrar), cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e, se surgirem sintomas de gripe, pedir orientações a um médico. Em hipótese nenhuma, a pessoa doente deve se automedicar.

Rede privada

Os interessados em tomar a vacina contra a influenza A (H1N1) que não estiverem nos grupos de risco poderão recorrer a laboratórios particulares. A partir da segunda quinzena de fevereiro, algumas clínicas privadas de vacinas começarão a oferecer a imunização. Por enquanto, ela estará restrita a centros de São Paulo (SP), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e do Ceará. A dose poderá custar de R$ 50 a R$ 60.

Confira o calendário de vacinação contra a H1N1

De 8 a 19 de março
Trabalhadores da rede de atenção à saúde e a população indígena. Médicos, enfermeiros, recepcionistas, pessoal de limpeza e segurança, motoristas de ambulância, equipes de laboratório e profissionais que atuam em investigação epidemiológica.

De 22 de março a 2 de abril
Grávidas em qualquer período de gestação; pessoas com o sistema imunológico debilitado e com problemas crônicos (exceto idosos), como diabetes, doenças do coração, pulmão, fígado, rins e sangue. Obesos (grau 3) e crianças de seis meses a dois anos. Atenção: esse é o período inicial de vacinação das gestantes. Elas poderão, porém, tomar a vacina em qualquer outra etapa. As crianças de 6 meses a 2 anos receberão meia dose da vacina e após 21 dias tomarão outra meia dose.

De 5 a 23 de abril
Adultos de 20 a 29 anos.

De 24 de abril a 7 de maio
Os idosos serão imunizados, ao mesmo tempo, contra a H1N1 e a influenza sazonal.

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