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Governo quer facilitar gravidez de soropositiva

Acompanhamento médico intenso é indispensável para evitar risco de transmissão de aids para o bebê

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 04/05/2010 13:12

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Em resposta à mudança do perfil da epidemia de aids no País – cada vez mais mulheres jovens e em idade fértil aparecem nas estatísticas de novos casos – o Ministério da Saúde vai impulsionar a política que garante o direito de engravidar destas pacientes.

Foto: Getty Images

Casais que têm HIV precisam de cuidados antes de terem filho

A coordenadora do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, informou que uma série de reuniões está sendo realizada desde novembro do ano passado para criar uma “recomendação nacional e homogenia” sobre a política de reprodução das pessoas que vivem com o vírus HIV. O documento deve ser publicado em junho.

Atualmente, a proporção é de dois homens infectados para cada mulher. No início da epidemia, em 1980, eram quatro pessoas do sexo masculino para cada uma do sexo feminino.

“Existe um preconceito da sociedade misturado à falta de informação. Os riscos de uma mãe transmitir HIV ao bebê é menor do que 1% quando todas as medidas de prevenção são tomadas”, afirmou Mariângela ao citar como indispensável para a concepção segura um acompanhamento do infectologista, um pré-natal de qualidade e também um tratamento adequado dos pais. “Por isso estamos revendo a política de reprodução dos pacientes, que é datada de 2006. Atualmente, a maior parte dos que vivem com HIV está em idade sexual ativa e reprodutiva. Não podemos privar esta parcela do direito que ela tem de ter filhos, se assim quiser.”

Os dados do programa mostram que, no ano passado, foram 3 mil mulheres soropositivas que engravidaram, sabendo do diagnóstico do HIV. Segundo o Ministério da Saúde, serão elaboradas recomendações específicas para cada três casos diferentes: uma para mulheres que são portadoras do vírus e os companheiros não; outra para os casos de só o homem ser soropositivo e uma terceira para quando ambos têm a doença.

Além da fertilização in-vitro, o Ministério também cogita a recomendação do sexo sem prevenção, apenas no período fértil da mulher e quando a carga viral da doença estiver quase nula. Este casal deve ser acompanhado e, após a relação, aquele que não for infectado recebe o coquetel por um período para impedir a infecção. Diretrizes que vão além da reprodução assistida, informa Mariangela, já foram adotadas na Itália e Alemanha.

Centros conveniados

Atualmente, existem centros conveniados que fazem reprodução assistida dos chamados “casais discordantes”. Um deles fica em São Paulo, mantido pela Faculdade de Medicina do ABC e pela Secretaria de Estado da Saúde e, desde 2006, já atendeu 200 pessoas que fizeram o procedimento médico.

“Queremos propiciar uma concepção segura, sem riscos de infecção do(a) parceiro”, afirma Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual DSTAids-SP. Em todos os casos, o procedimento deverá ser realizado quando a carga viral dos pacientes estiver baixa ou indetectável.

“Se uma mulher soropositiva quiser engravidar, ela deve ser informada sobre o melhor momento e os modos para que isso ocorra com os menores riscos”, disse Rosa Alencar Souza, do CRT. Uma gravidez programada permite, além da escolha do melhor momento clinico, uma adequação dos antiretrovirais prescritos, considerando o esquema mais adequado para a paciente e para a profilaxia da transmissão vertical (de mãe para o bebê, durante a gravidez)
 

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